Internacional

Irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un ameaça e insulta líderes da Coreia do Sul

24 novembro 2022 11:19

Kim Yo-jong

jorge silva/reuters

Kim Yo-jong chamou ao novo Presidente da Coreia do Sul e ao seu Governo "idiotas" e "cães selvagens a roerem um osso dado pelos EUA"

24 novembro 2022 11:19

Kim Yo-jong, a influente irmã do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, produziu hoje ameaças e insultos contra a Coreia do Sul, pelo país vizinho estar a considerar adotar sanções unilaterais a Pyongyang.

Entre os insustos, Kim Yo-jong chamou ao novo Presidente da Coreia do Sul e ao seu Governo "idiotas" e "cães selvagens a roerem um osso dado pelos EUA".

As críticas da irmã do líder norte-coreano surgem dois dias depois do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul ter divulgado que está a rever a adoção de sanções unilaterais adicionais ao Norte, devido ao grande número de testes de armamento que tem sido realizado por Pyongyang.

A diplomacia sul-coreana também referiu que considera adotar sanções e reprimir os alegados ciberataques da Coreia do Norte, uma nova fonte importante de financiamento para o seu programa de armas, caso o vizinho avance com uma grande provocação militar, como um teste nuclear.

"Eu questiono-me que 'sanções' o grupo sul-coreano, não mais do que um cão selvagem a roer um osso dado pelos EUA, vai impor descaradamente à Coreia do Norte", destacou Kim Yo-jong em comunicado divulgado pelos 'media' estatais.

Entre as críticas ao novo Presidente sul-coreano, a irmã do líder norte-coreano acrescentou que a Coreia do Sul "não era o alvo" quando o antecessor Moon Jae-in, que procurou uma reconciliação com o Norte, estava no poder.

Estas palavras podem ser vistas como uma tentativa de fomentar sentimentos anti-Yoon na Coreia do Sul.

"Avisamos os atrevidos e os estúpidos, mais uma vez, que as sanções desesperadas e a pressão dos EUA e dos seus fantoches sul-coreanos contra [a Coreia do Norte] irão adicionar combustível à hostilidade e raiva deste último", sublinhou ainda.

O cargo oficial de Kim Yo-jong é de vice-diretora de departamento do Comité Central do Partido dos Trabalhadores (KCNA), único do país e no poder, mas o serviços secretos da Coreia do Norte acreditam que esta é a segunda pessoa mais poderosa do Norte, a seguir ao seu irmão, e que lida com as relações entre Seul e Washington.

Em outubro, a Coreia do Sul impôs as suas próprias sanções a 15 norte-coreanos e 16 organizações suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas para financiar os programas de armas nucleares e mísseis da Coreia do Norte.

Estas foram as primeiras sanções unilaterais de Seul à Coreia do Norte em cinco anos, embora os analistas tenham referido que este foi um passo simbólico porque as duas Coreias têm poucos acordos financeiros entre elas.

No entanto, observadores apontam que o esforço de Seul para se coordenar com os Estados Unidos e outros aliados para reprimir as alegadas atividades ilícitas do vizinho do norte pode irritar Pyongyang.

No início do ano, um painel de especialistas da ONU salientou num relatório que a Coreia do Norte continua a roubar centenas de milhões de dólares de instituições financeiras e empresas e bolsas de criptomoedas, dinheiro ilícito que é uma importante fonte de financiamento para os seus programas nuclear e de mísseis.

A tensão na península atinge atualmente níveis sem precedentes devido aos testes de armamento pela Coreia do Norte, às manobras dos aliados e à possibilidade de, segundo provas recolhidas por satélites, o regime de Kim Jong-un estar preparado para realizar um primeiro teste nuclear desde 2017.

O Presidente norte-coreano assegurou na sexta-feira que utilizará a bomba atómica em caso de um ataque nuclear contra o seu país.