Internacional

Eleições em Itália: ex-PM Letta alerta para perigos de uma vitória da direita

6 setembro 2022 14:00

Enrico Letta

remo casilli/reuters

O ex-primeiro-ministro italiano sustentou que “existe o risco” de a Constituição ser “virada de cabeça para baixo" se os partidos do centro-direita ganharem mais de dois terços dos assentos no parlamento

6 setembro 2022 14:00

O líder do Partido Democrático (PD) italiano, Enrico Letta, defendeu hoje que uma vitória esmagadora da direita/centro-direita nas eleições gerais de 25 deste mês em Itália trará riscos para a democracia no país.

“Quero lançar um alerta para a democracia italiana. Estou a pesar as minhas palavras. Não quero usá-las levianamente. Temos 17 dias para mudar a história do nosso país e acabar com o perigo [da direita/centro-direita] para que a democracia italiana se tornar realidade”, afirmou Letta, numa conversa na rede social Zoom com candidatos do grupo de centro-esquerda.

O ex-primeiro-ministro italiano sustentou que “existe o risco” de a Constituição ser “virada de cabeça para baixo" se os partidos do centro-direita ganharem mais de dois terços dos assentos no parlamento, o que permitiria reformar a Carta Magna sem um referendo e eleger diretamente um Presidente.

Citado pela agência noticiosa Ansa, Letta comparou o cenário italiano ao do Reino Unido após o Brexit, avisando que a União Europeia (UE) não salvará a Itália se a direita vencer.

A três semanas das eleições legislativas em Itália, as sondagens anteveem uma vitória quase certa do centro-direita e um forte desempenho dos Irmãos de Itália (FdI), de Giorgia Meloni, mas analistas ouvidos pela Lusa optam pela prudência face as projeções.

As últimas sondagens realizadas pela Euromedia Research, uma das empresas de sondagens mais importantes de Itália, indicam que os FdI, extrema-direita, continua a sua ascensão e, se as eleições legislativas antecipadas fossem agora realizadas (estão agendadas para 25 deste mês), a força política conseguiria 24,6% dos votos.

Logo de seguida surge o PD, centro-esquerda, de Letta, com 23,1%.

A Liga (também de extrema-direita e liderada pelo controverso ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro do Interior Matteo Salvini) e o Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema) surgem lado a lado nas últimas sondagens: o primeiro arrecada 12,5% das intenções de voto, enquanto o segundo regista 12,3%, um aumento em relação às semanas anteriores.

A Força Itália (centro-direita), do magnata dos ‘media’ e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, regista 7% das intenções de voto.

“Além dos votos nos partidos individuais, a lei eleitoral italiana favorece as coligações e é esse o facto que devemos, em primeiro lugar, ter em consideração. Até hoje vemos que a coligação do centro-direita formada pelo FdI, Liga e Força Itália (FI) teria 46,1% dos votos contra 28,7% do centro-esquerda”, disse à Lusa Alessandra Ghisleri, diretora da Euromedia Research.