Internacional

Só metade dos brasileiros e portugueses sabe que o Brasil celebra 200 anos de independência

5 setembro 2022 20:10

O inquérito foi realizado em agosto, depois de várias iniciativas, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do país da América do Sul, se terem realizado na primeira metade deste ano, quer no Brasil quer em Portugal

5 setembro 2022 20:10

Só cerca de metade dos brasileiros e portugueses sabe que o Brasil celebra este ano, 200 anos de independência em relação a Portugal, revela um estudo divulgado esta segunda-feira. O estudo, patrocinado pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), em parceria com o Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE) concluiu que "tanto em Portugal quanto no Brasil, cerca de metade da população tem conhecimento do Bicentenário da Independência".

O inquérito foi realizado em agosto, depois de várias iniciativas, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do país da América do Sul, se terem realizado na primeira metade deste ano, quer no Brasil quer em Portugal.

À pergunta sobre se sabiam que em 2022 o Brasil completa 200 anos da proclamação da independência em relação a Portugal, 48% dos inquiridos brasileiros e 49% dos portugueses respondeu que sabia, os outros, ligeiramente mais de metade, disseram que não sabiam da efeméride, que se assinala esta quarta-feira.

Em ambos os países, esse conhecimento "cai significativamente entre as mulheres, os mais jovens e os de escolaridade mais baixa", refere o relatório.

O objetivo do estudo foi investigar o conhecimento e perceções de brasileiros e portugueses sobre os 200 anos da independência daquela nação e sobre os dois países, mas também sobre as expectativas que têm relativamente a Portugal e ao Brasil para os próximos anos.

Segundo a ficha técnica, foi realizado entre 9 e 21 de agosto, tendo uma amostra a nível nacional de 800 entrevistados em Portugal e outros 800 no Brasil, representativa da população adulta, acima de 18 anos, de cada país e de várias regiões. A abordagem aos entrevistados foi feita através de entrevistas telefónicas e online.

A margem de erro máximo estimada é de 3,5 pontos percentuais para mais ou para menos nas amostras nacionais de 800 entrevistados, com a utilização de um intervalo de confiança de 95,5%, acrescenta o documento.

O coordenador e impulsionador deste estudo foi António Lavreda, cientista político e escritor brasileiro, especialista em comportamento eleitoral e marketing político, e pioneiro, no Brasil, nos estudos teóricos e na utilização de ferramentas de neuropolítica.

António Lavareda, além de diretor-presidente da MCI-Estratégia, é presidente do conselho científico do Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Económicas (IPESPE)e fundador do Laboratório de Neurociência Aplicada (NeuroLab).

O instituto de pesquisa Pitagórica fez a parte portuguesa do estudo e o IPESPE fez a parte brasileira.

Em declarações à Lusa, o coordenador e impulsionador do estudo sublinhou que este "é um ponto de partida" para se entender "esse relacionamento e as visões mútuas dos dois países e dos dois povos", e, "a partir dele" deverá "aprofundar-se a reflexão sobre esse tema, com cientistas sociais, com jornalistas, com todos os interessados e com os governos, que obviamente também têm responsabilidade em promover essa aproximação entre os dois países e os dois povos".

Quando é pedido aos inquiridos brasileiros para indicarem qual a associação que fazem entre Portugal e o Brasil, a relação histórica é apontada por 21% destes, que se referem também a temas como colonização, exploração e família real.

Já 19% dos inquiridos vê Portugal como um país de oportunidades, falando também da qualidade de vida.

Entre os portugueses, a maioria vê o Brasil em primeira linha como um destino turístico, com 37% dos inquiridos a apontá-lo como tal e referindo-se a aspetos como o clima, as belezas naturais e locais como a cidade do Rio de Janeiro.

Em segundo lugar vem a cultura brasileira: 15% dos inquiridos falaram dos símbolos dessa cultura, como o samba, o futebol e o carnaval.

Enquanto um terceiro conjunto de inquiridos (7%) falou dos problemas sociais do Brasil, nomeadamente a violência e criminalidade.

Ainda de acordo com os dados dos estudo, "é consolidada entre os brasileiros a perceção de Portugal como um país bom ou muito bom para se morar".

Mas, contrariamente, predomina entre os portugueses uma visão negativa do Brasil como país para residir, com 64% dos inquiridos a considerarem "é ruim ou muito ruim para se morar".

De um lado e de outro, no entanto, a maioria dos inquiridos, de todos os estratos sócio-demográficos, consideram os dois "países irmãos".

Mas já sobre a atual relação entre Brasil e Portugal, é vista de modo positivo sobretudo entre os inquiridos brasileiros. Destes, 63% consideram a relação entre os dois países, "ótima", "boa" ou "regular". Enquanto do lado dos portugueses, só 49% a classificam naquelas categorias.

Boas relações diplomáticas, transações turísticas, trocas culturais e apoio mútuo aos imigrantes, são os aspetos mais referidos pelos inquiridos brasileiros e portugueses para justificar o bom relacionamento entre o Brasil e Portugal.

Para ambos, "predomina, com mais de 60%, uma visão favorável da imigração de brasileiros para Portugal" e o facto de estes já serem a maior comunidade estrangeira neste país.

Mas do lado dos brasileiros, 84% têm uma opinião favorável sobre a reforma na Lei de Estrangeiros em Portugal, enquanto apenas 51% dos inquiridos portugueses são favoráveis aquelas alterações à lei e 16% são mesmo contra a reforma.

Entre os brasileiros com nível superior e rendimento mais alto, a opinião positiva sobre a reforma da Lei de Estrangeiros sobe para 90%. Já em Portugal, foram os inquiridos mais jovens os que se mostraram mais contra a reforma da lei.

De acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, o número de brasileiros residentes em Portugal cresceu de 81.251 em 2016 para 211.958 em abril de 2022.

Na próxima quarta-feira, 07 de setembro, o Brasil celebra 200 anos de independência, dia em que D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal a proclamou, com aquele que é conhecido como o 'grito do Ipiranga'.

Portugal aceitou o convite do Brasil para se associar a estas comemorações pelo que decorrem no país também várias iniciativas no âmbito desta efeméride.