Internacional

Trump invoca 5ª emenda da Constituição e recusa-se a responder a questões da Procuradoria-Geral de Nova Iorque

10 agosto 2022 16:44

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Dizendo novamente ser vítima de uma “caça às bruxas”, Trump declarou em comunicado que recusou "responder a perguntas, ao abrigo dos direitos e prerrogativas concedidos a todo o cidadão pela Constituição dos Estados Unidos”. Sobre as buscas realizadas pelo FBI na sua mansão em Mar-a-Lago, o antigo Presidente sugeriu que os investigadores podem ter 'plantado' provas

10 agosto 2022 16:44

O ex-Presidente norte-americano Donald Trump, ouvido esta quarta-feira sob juramento numa investigação cível sobre suspeitas de fraude financeira dentro da Trump Organization, anunciou que se recusou a responder a perguntas da Procuradoria-Geral de Nova Iorque.

Dizendo novamente ser vítima de uma “caça às bruxas”, declarou em comunicado que recusou "responder a perguntas, ao abrigo dos direitos e prerrogativas concedidos a todo o cidadão pela Constituição dos Estados Unidos”.

Trump invocou assim o seu direito contra a autoincriminação, previsto na 5ª emenda da Constituição norte-americana. "Não tenho absolutamente nenhuma escolha porque o atual Governo e muitos procuradores deste país perderam todos os limites morais e éticos da decência”, disse.

“A conselho do meu advogado e por todas as razões mencionadas, recusei-me a responder às perguntas ao abrigo dos direitos e privilégios concedidos a todos os cidadãos pela Constituição dos Estados Unidos”, acrescentou em comunicado.

O interrogatório aconteceu dois dias depois das buscas do FBI (polícia federal norte-americana) à residência do ex-Presidente em Mar-a-Lago, na Florida. As buscas foram realizadas ao abrigo de uma investigação federal sobre documentos oficiais que terão sido levados para a propriedade do ex-Presidente e não estão relacionadas com este processo cível.

Numa mensagem publicada na sua rede social, a Truth Social, Trump descreveu a investigação da Procuradoria-Geral de Nova Iorque como “a maior caça às bruxas na história dos Estados Unidos”. "A minha grande empresa e eu estamos a ser atacados por todos os lados", salientou o ex-Presidente republicano (2017-2021).

O inquérito de Nova Iorque está a ser conduzido pela procuradora-geral do estado, Letitia James, que Trump descreve como uma "racista" na sua publicação, que conclui exclamando "República das Bananas!".

O processo conduzido por Letitia James procura determinar se a Organização Trump inflacionou o valor dos seus ativos de forma a obter empréstimos bancários e, em paralelo, reduziu esse mesmo valor com a intenção de pagar menos impostos. A investigação é cível, pelo que, independentemente das conclusões, não poderá apresentar acusações criminais contra a família Trump.

Provas 'plantadas'

O ex-Presidente norte-americano também sugeriu que o FBI (polícia de investigação federal) pode ter 'plantado' provas falsas durante as buscas à sua mansão na Florida, para tentar incriminá-lo, embora sem apresentar qualquer prova.

Numa mensagem na Truth Social, Trump reclamou que os agentes não permitiram que ninguém, nem mesmo os seus advogados, se aproximassem dos quartos em que entraram durante a operação em Mar-a-Lago, a sua mansão na Florida.

"Todos foram convidados a sair do local, eles queriam ficar sozinhos, sem testemunhas que vissem o que estavam a fazer, a levar ou, espero que não, 'a plantar'. Porque é que eles insistiram tanto em não terem ninguém a observá-los?", questionou o político republicano.

Trump levantou assim dúvidas sobre as ações do FBI e as possíveis provas recolhidas, insistindo no seu argumento de que toda esta ação foi orquestrada pelo Governo de Joe Biden e tem fins políticos.

Nem o FBI nem o Departamento de Justiça divulgaram declarações explicando o motivo da operação. Enquanto aguardam algum detalhe ou explicação oficial, vários líderes republicanos, incluindo a liderança do partido, atacaram o "abuso de poder" dos democratas.

O próprio Trump, no entanto, não tornou público ou divulgou detalhes sobre o mandado de busca que os agentes apresentaram para ter acesso à sua casa e que poderia lançar luz sobre essas investigações, focadas 'a priori' em documentos com informações confidenciais que não deveriam ter sido retirados da Casa Branca.

Enquanto isso, o Governo Biden garantiu que o atual chefe de Estado não foi informado da busca e soube da mesma através da imprensa, uma vez que se trata de uma investigação "independente".

Christina Bobb, uma das advogadas de Trump, disse em várias entrevistas que estava em Mar-a-Lago quando a busca teve lugar e que o FBI levou da residência aproximadamente 12 caixas.