Internacional

Human Rights Watch pede à ONU investigação sobre abusos étnicos em Xinjiang

3 agosto 2022 17:26

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Investigações feitas por organizações ocidentais acusam Pequim de ter internado mais de um milhão de uigures e membros de outros grupos étnicos muçulmanos locais em “campos de reeducação” na província de Xinjiang, no noroeste da China

3 agosto 2022 17:26

A organização humanitária Human Rights Watch (HRW) pediu esta quarta-feira que o Conselho de Direitos Humanos da ONU abra uma investigação “o mais rapidamente possível” sobre as alegações de perseguição a minorias muçulmanas em Xinjiang, na China.

“O Conselho de Direitos Humanos [das Nações Unidas] deve estabelecer um grupo de especialistas independentes para investigar esses abusos. Isso exige uma resolução do Conselho de Direitos Humanos”, disse a diretora interina da HRW em Genebra, Lucy McKernan, em conferência de imprensa hoje realizada em Genebra, na Suíça.

“Dada a escala e a gravidade destes abusos, esta investigação deve acontecer o mais rapidamente possível”, acrescentou.

Investigações feitas por organizações ocidentais acusam Pequim de ter internado mais de um milhão de uigures e membros de outros grupos étnicos muçulmanos locais em “campos de reeducação” na província de Xinjiang, no noroeste da China, impondo inclusive “trabalhos forçados” ou “esterilizações forçadas”.

A China nega todas estas alegações e apresenta os campos como “centros de formação profissional” destinados a combater o extremismo religioso e formar os habitantes para exercerem uma profissão.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos preparou um relatório sobre a questão que deverá ser publicado antes do final do mandato da atual líder desta organização, Michelle Bachelet, no final de agosto.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos exigiram, há alguns meses, que Bachelet publicasse o relatório, mas a Alta-Comissária preferiu esperar até visitar pessoalmente Xinjiang.

Depois de anos a negociar os termos da sua visita a Xinjiang, Michelle Bachelet conseguiu finalmente viajar para aquela região chinesa em maio passado.

A sua visita foi, no entanto, alvo de críticas por parte dos Estados Unidos e de algumas das maiores organizações humanitárias, que a acusaram de falta de firmeza em relação a Pequim e de agir mais como diplomata do que como defensora dos direitos humanos.

“Ficámos bastante desapontados com a Alta-Comissária, especialmente em relação à sua resposta à China. Este era, basicamente, o maior desafio e teste que [Bachelet] tinha de enfrentar enquanto Alta-Comissária”, afirmou Lucy McKernan.

“Para que possa manter a cabeça erguida, o relatório tem de ser forte”, defendeu a diretora interina da HRW em Genebra, considerando que o documento a apresentar deve classificar os abusos como “crimes contra a Humanidade” e pedir uma “investigação independente” do Conselho de Direitos Humanos.

No final de julho, Michele Bachelet negou ter sido pressionada pela China para não divulgar o relatório, assegurando que seria publicado antes do final do seu mandato.

Os uigures, que são maioritariamente muçulmanos e falam na sua grande maioria uma língua relacionada com o turco, são um dos 56 grupos étnicos que existem no território chinês.

Esta etnia representa um pouco menos de metade dos 25 milhões de pessoas que vivem na região de Xinjiang, um vasto território semidesértico no noroeste da China há muito atingido por ataques violentos, que Pequim atribui a elementos separatistas e islamitas.