Internacional

Afeganistão. Indústria da heroína está a usar a energia solar e a crescer a olhos vistos

27 julho 2020 16:06

Luís M. Faria

Jornalista

Plantação de papoilas em Gereshk, província de Helmand, no Afeganistão

noor mohammad

Uma reportagem da BBC mostra como uma tecnologia ecológica ajuda a potenciar os lucros de uma droga extremamente mortífera

27 julho 2020 16:06

Luís M. Faria

Jornalista

Os campos de papoilas no Afeganistão estão a usar energia produzida com painéis solares. Uma reportagem da BBC no vale de Helmand - tida como a região mais perigosa do país, mas também aquela que é o centro do cultivo a partir do qual se produz a maior parte da heroína consumida no mundo - fala em 67 mil painéis só nessa região.

Os painéis vieram substituir o diesel anteriormente usado e servem sobretudo para alimentar as bombas elétricas que extraem água do solo. Uma vez irrigadas, porém, as explorações adquirem ganhos de produtividade enormes, permitindo inclusivamente cultivar a papoila em locais onde ela antes não era viável.

Segundo a BBC, a área de cultivo de papoila em Helmand tem crescido exponencialmente, excedendo já os 300 mi hectares. Um ex-soldado britânico, que atualmente dirige uma empresa cuja especialidade é a análise de zonas perigosas do mundo através de imagens de satélite, resume a situação resultante do advento da energia solar para os produtores de papoila: "Toda esta água está a fazer o deserto florescer".

O Afeganistão é o principal produtor mundial de heroína. Essa indústria apenas teve uma interrupção abrupta durante um breve período, nos anos iniciais do presente século, devido a medidas severas tomadas pelos Talibã, então no poder.

Após a invasão americana em 2003, a produção retomou em força, e ocasionais quedas não desmentem uma notória tendência ascensional, tendo a área cultivada mais do que duplicado ao longo da última década.