Internacional

Após dois meses a vaguear no mar, 396 rohingya foram recolhidos no Bangladesh. Mas para 32 deles já foi tarde

16 abril 2020 15:27

Luís M. Faria

Jornalista

abdul aziz

O destino final era a Malásia, mas este país rejeitou-os. Há semanas que vagueavam quase sem água nem comida

16 abril 2020 15:27

Luís M. Faria

Jornalista

Um barco pesqueiro com 392 refugiados rohingya, que se encontrava há 58 dias no mar, foi salvo pela guarda costeira do Bangladesh esta quarta-feira. Os refugiados, que haviam embarcado com destino à Malásia, encontravam-se numa situação desesperada e 32 dos passageiros terão morrido na viagem.

Estes casos repetem-se desde há anos, sobretudo desde 2017, quando o exército de Myanmar lançou uma campanha de limpeza étnica contra os rohingya. Muitos deles fugiram para campos de refugiados no Bangladesh, onde a todas as outras privações se soma agora a ameaça do coronavírus, que pode levar a uma catástrofe de enormes proporções.

A densidade humana nos campos torna impossível cumprir o distanciamento social, e pode ser difícil aceder aos meios mínimos para cumprir as instruções de higiene indispensáveis numa altura de pandemia.

Com mais de um milhão de refugiados nesses campos, redes de tráfico humano oferecem-se para os transportar a outros países do sudoeste asiático. A promessa muitas vezes não é cumprida, e nesta altura o receio do coronavírus aumenta a tendência para não aceitar os refugiados que chegam, ou fornece um pretexto para isso.

abdul aziz

As 396 pessoas agora recolhidas, muitas delas mulheres e crianças, terão sido rejeitadas duas vezes quando se aproximaram da Malásia. Quase sem água nem comida, estavam a passar fome há semanas, o que se reflete bem em imagens tiradas já no Bangladesh, em que são notórias dezenas de figuras esqueléticas e desidratadas.

Após dizerem que iam enviá-las para a Malásia, as autoridades do Bangladesh decidiram entregá-las ao Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) para os Refugiados, que se propôs ajudar o Bangladesh a colocá-los em quarentena. Segundo o ACNUR, não há indicações de infeção pelo coronavírus entre o grupo.