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Direita e extrema-direita de Espanha juntam milhares em Madrid contra Sánchez

VICTOR LERENA

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, assegurou que o seu governo trabalha pela unidade de Espanha, o que implica "unir os espanhóis, e não dividi-los, como está hoje a fazer a direita" numa manifestação em Madrid

Os partidos da direita espanhola Partido Popular e Ciudadanos e a formação de extrema-direita Vox juntaram hoje dezenas de milhares de manifestantes em Madrid para exigir a demissão do primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, e a convocação de eleições. As três formações acusam Sánchez de "traição" e de "negociar a unidade nacional" ao manter conversações com os independentistas da Catalunha (nordeste) para assegurar a aprovação do Orçamento do Estado.


O governo de Sánchez suspendeu as conversações com os independentistas na sexta-feira porque, segundo a vice-primeira-ministra, Carmen Calvo, os separatistas recusaram ceder na exigência de um referendo sobre a independência. A tensão política ocorre nas vésperas do julgamento pelo Supremo Tribunal de Espanha, marcado para terça-feira, de 12 dirigentes independentistas catalães, acusados de traição na tentativa de secessão de 2017.


A polícia nacional estimou em 45.000 o número de manifestantes na praça Colón, na capital espanhola, segundo a agência EFE.
No manifesto da concentração, intitulado "Por uma Espanha unida eleições já!", lido aos manifestantes, os partidos de direita acusam o governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de "humilhação do Estado sem precedentes" e argumentam que os espanhóis "não estão dispostos a tolerar mais traições ou concessões".


"Nenhum governo está legitimado para negociar a soberania nacional", frisam. O líder do Partido Popular (PP), Pablo Casado, afirmou à chegada ao protesto a sua oposição à política de diálogo com a Catalunha e assegurou que "o tempo de Sánchez acabou".
Albert Rivera, líder do Ciudadanos (Cs), assegurou que Pedro Sánchez "vai ter de ouvir" as palavras dos manifestantes, caso contrário, apelou, "terão de organizar-se mais manifestações".


E Santiago Abascal, líder do Vox, qualificou o Governo de Madrid de "ilegítimo e mentiroso", acusando de "traição" e de ser "apoiado pelos inimigos de Espanha, da ordem constitucional e da convivência entre espanhóis", referindo-se aos independentistas.
O PP, o Ciudadanos e o Vox, que se aliaram recentemente para governar a região da Andaluzia (sul), surgem nas sondagens em condições de formar uma maioria a nível nacional.

LUCA PIERGIOVANNI

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, assegurou que o seu governo trabalha pela unidade de Espanha, o que implica "unir os espanhóis, e não dividi-los, como está hoje a fazer a direita" numa manifestação em Madrid. O primeiro-ministro falava à imprensa em Santander (norte), enquanto em Madrid, na praça Colón, dezenas de milhares de pessoas se manifestavam para exigir eleições antecipadas.


Pedro Sánchez assegurou que respeita qualquer manifestação, mas frisou que esta é contra alguém que, quando foi líder da oposição, esteve "sempre ao lado do governo", nomeadamente em relação à Catalunha. "O que faço agora como presidente do governo é resolver uma crise de Estado que o PP agravou quando esteve no governo", disse o líder socialista, assegurando estar a defender a Constituição.


Quanto ao debate do Orçamento do Estado, que começa na terça-feira, Sánchez apontou que os independentistas "vão unir-se à direita que está hoje na praça Colón" contra um documento "virado para o futuro". O PP, o Ciudadanos e o Vox, que se aliaram recentemente para governar a região da Andaluzia (sul), surgem nas sondagens em condições de formar uma maioria a nível nacional.