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Internacional

O que diz a História eleitoral do Brasil e como Bolsonaro sai a ganhar com a lição

Candidato da extrema-direita obteve grande vitória nas eleições deste domingo no Brasil

“Face aos números que estão a ser divulgados, não existe grande surpresas na corrida presidencial”, diz Óscar Vilhena Vieira, diretor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas. O politólogo admite que Jair Bolsonaro pode ter crescido mais do que o esperado, embora os últimos dados do Ibope já colocassem o candidato de extrema-direita no patamar do 48%. Com a estagnação de Ciro Gomes, do PDT, outro candidato de esquerda, que está em terceiro lugar com 12,5%, “há uma probabilidade maior de vitória de Bolsonaro na segunda volta. A não ser que haja algum elemento muito forte que venha a alterar isso”, acrescenta. Lembra que historicamente no Brasil os candidatos mais bem colocados na primeira volta acabam por chegar à presidência.

Já na eleição para governadores, existem algumas surpresas para Óscar Vilhena Vieira. Em São Paulo, o governador cessante Márcio França, do Partido Socialista Brasileiro (a segunda maior força de esquerda a seguir ao PT), que estava em terceiro lugar nas sondagens, afinal vai à segunda volta. Com cerca de 22% dos votos, vai enfrentar João Dória, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no maior colégio eleitoral do país.

Em Minas Gerais, Romeu Zema, candidato pelo Partido Novo (liberal-centro), praticamente desconhecido do eleitorado, aproveitou a onda Bolsonaro e está em primeiro lugar com 43,29% dos votos. O recém-chegado afirmou-se no feudo “tucano” – nome pelo qual são conhecidos os militantes do PSDB – e vai à segunda volta contra o senador António Anastasia do PSDB que obteve 29,05% dos votos. Na região centro-oeste, Óscar Vilhena Vieira destaca também a eleição logo à primeira volta do senador Roberto Caiado, do DEM, um líder ruralista da direita brasileira, para governador de Goiás com quase 60% dos votos. Sem surpresa, surgem os resultados no Norte, com vitória dos partidos de esquerda, e da direita na região sul.

“Tudo aponta também para que exista uma grande renovação no Senado”, acrescenta Vieira, salientando que a Rede Sustentabilidade é o partido que mais tende a crescer na câmara alta do Congresso brasileiro. Uma tendência curiosa, dado que Marina Silva é a candidata presidencial que mais desceu, obtendo hoje cerca de 1% dos votos, quando no início de agosto as sondagens atribuíam-lhe uma fatia de 16% das intenções de voto.