Sistema financeiro

Bancos portugueses reduziram financiamento junto do Eurosistema em 2022

Bancos portugueses reduziram financiamento junto do Eurosistema em 2022
Mathieu Stern/unsplash

O financiamento dos bancos portugueses junto do Eurosistema reduziu-se em 25,9 mil milhões de euros em 2022, após dois anos de sucessivos aumentos. Depósitos continuam a alimentar financiamento da banca, com destaque para os depósitos à ordem

Em 2022 os bancos do sistema financeiro português continuaram a financiar-se “maioritariamente através de depósitos e da emissão de títulos de dívida”, segundo o Banco de Portugal. Por outro lado, após dois anos de aumentos do financiamento concedido pelo Eurosistema “este tipo de financiamento reduziu-se 25,9 mil milhões de euros, para 16,1 mil milhões de euros”.

Estas conclusões fazem parte do balanço do setor publicado esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

A contribuir para a redução do financiamento junto do Eurosistema estão “as subidas das taxas de juro pelo BCE”, que levaram alguns bancos “a amortizar antecipadamente os montantes obtidos através das operações de refinanciamento”.

Dos 16,1 mil milhões de euros de financiamento, 16 mil milhões dizem respeito, segundo nota do Banco de Portugal “a operações de refinanciamento de prazo alargado”.

Os depósitos e emissão de títulos de dívida representavam em 2022 76% e 11% do passivo, respetivamente, e ascendiam no final do ano a 356,4 mil milhões de euros e 51,1 mil milhões de euros.

Segundo a nota estatística do Banco de Portugal, “os depósitos dos particulares e das empresas nos bancos aumentaram, respetivamente, 9,6 e 5,5 mil milhões de euros em relação a 2021”.

No total os depósitos a particulares totalizaram 182,4 mil milhões e os depósitos das empresas a 67,3 mil milhões de euros", embora o banco de Portugal ressalve o facto de o crescimento dos depósitos ter abrandado em 2022.

No que diz respeito aos particulares, o peso dos depósitos continuou a aumentar, embora a sua remuneração não tenha acompanhado a subida das taxas de juro.

“No final de 2022, os depósitos à ordem correspondiam a 49,5% dos depósitos deste setor (44,9% em dezembro de 2020 e 47,8% em dezembro de 2021) e totalizavam 90,3 mil milhões de euros”. A rubrica “outros depósitos” em 2022 ascendeu a 50,5% do valor total dos depósitos.

Já no que toca aos títulos de dívida emitidos pelos bancos, dos 51,1 mil milhões de euros, “72% ficaram na carteira de bancos residentes e 28% foram comprados por outros setores investidores”. Em 2020 os bancos tinham emitido 49,2 mil milhões e em 2021, 51,1 mil milhões de euros.

No que diz respeito ao capital e reservas a redução registada em 2022 deve-se em grande parte ao “reflexo de desvalorizações de títulos em carteira, saída de balanço de créditos abatidos ao ativo e de vendas de crédito”.

No final do ano passado "os bancos tinham 44,7 mil milhões de euros de capital e reservas, menos 2,1 mil milhões do que em 2021", o que revela também que o peso desta rubrica no balanço dos bancos tem vindo a reduzir-se nos últimos anos. "Passou de 11% em 2020 para 9,9% em 2021 e para 9,6% em 2022", segundo o Banco de Portugal.

Menos empréstimos e dívida do sector

As principais rubricas do ativo eram “os empréstimos e os títulos de dívida, que representavam, respetivamente, 64% e 27% do ativo e ascendiam, no final do ano, a 301,2 e 125,5 mil milhões de euros”.

No que toca aos empréstimos, em 2022 verificou-se um decréscimo, após três anos de crescimento.

“O montante total de empréstimos concedidos pelo setor bancário reduziu-se 4,6 mil milhões de euros, para 301,2 mil milhões de euros”, indica o Banco de Portugal.

Para este cenário contribuiu a redução das aplicações junto do Banco de Portugal, “a diminuição dos empréstimos a empresas não financeiras e o abrandamento do crescimento dos empréstimos a particulares, nomeadamente nos empréstimos à habitação”.

Também a carteira de títulos de dívida do setor bancário desceu 2,2 mil milhões de euros, “com a desvalorização dos títulos detidos a superar os novos investimentos”, sublinha o Banco de Portugal.

“Os bancos aumentaram a sua exposição a títulos de dívida emitidos por administrações públicas não residentes (de 31,1 para 33,8 mil milhões de euros), diminuíram a sua exposição a títulos de dívida emitidos pelas administrações públicas residentes (de 28,1 para 24,2 mil milhões de euros) e pelo setor financeiro residente (de 46 para 43,1 mil milhões), em particular por outras instituições financeiras”, lê-se na nota divulgada esta terça-feira.

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