Sistema financeiro

Portugal é "uma história de sucesso" para o Bankinter, que ainda não recebeu pedidos para renegociar créditos

19 janeiro 2023 13:02

d.r.

Crescer de forma orgânica continua a ser a estratégia do espanhol Bankinter. Maria Dolores Dancausa, presidente da instituição diz que Portugal é uma “história de êxito” para o grupo. Sobre subir remuneração dos depósitos? Só caso a caso, diz

19 janeiro 2023 13:02

Os resultados do grupo Bankinter em 2022 superaram as expectativas do próprio banco e atingiram os números etimados para 2023. Com uma sucursal em Portugal desde 2016, a operação continua a contribuir positivamente para os resultado da casa-mãe.

Maria Dolores Dancausa, que lidera o Bankinter, disse esta quinta-feira na apresentação dos resultados, depois da comunicação dos dados ao regulador, que conseguiram "os melhores resultados da nossa história". Foram 560,2 milhões de euros.

Sobre a operação em Portugal, que antes de impostos atingiu 78 milhões de euros, mais 54% do que em 2021, disse que o volume de negócios cresceu 10% desde 2017 para 18,2 mil milhões de euros. E que Portugal é uma “história de sucesso” desde que o grupo comprou o banco.

Mas, mais uma vez quando questionada sobre a possibilidade de comprar em Portugal , Maria Dolores Dancausa é perentória: “Não temos nenhuma intenção. O nosso objetivo foi sempre crescer de forma orgânica e neste momento estamos a consolidar a operação em Portugal”.

Maria Dolores Dancausa afirma que o volume de negócio do mercado português foi sempre positivo e que dos 8 mil milhões de crédito concedido, 2,4 mil milhões já decorrem do segmento de banca de empresas, que, sublinha, “não existia quando comprámos o negócio em Portugal”. Cresceu 20% de 2021 para 2022.

Destaca ainda o rácio de eficiência que em Portugal está abaixo dos 50%: situa-se nos 49,5% e tem desde 2017 melhorado a cada ano. Quanto aos recursos, subiram 9% para 6,4 mil milhões em 2022, enquanto os fundos fora do balanço caíram 10%.

Crédito à habitação sem problemas

O mercado português é muito focado no crédito a particulares, em particular no crédito à habitação, mas a casa-mãe não está preocupada com a subida das taxas de juros e eventuais incumprimentos em Portugal, devido especialmente à utilização de taxas variáveis neste segmento.

Até agora, disse o diretor financeiro, na conferência de imprensa, “não está a haver problemas com a subida das taxas de juro”.

Jacobo Díaz afirmou ainda que em Portugal não tem havido pedidos para renegociar créditos ao abrigo da mais recente legislação aprovada pelo Banco de Portugal, mas, a haver renegociações por necessidade dos clientes “serão tidas como regulares”, e não como incumprimentos.

Remuneração dos depósitos congelada

Quando questionado sobre uma eventual subida da remuneração nos depósitos na sequência das subida das taxas de juro, Jacobo Díaz refere não haver qualquer estratégia generalizada, quer em Portugal quer em Espanha, em subir os juros dos depósitos.

Aos clientes são oferecidos produtos mais rentáveis e só caso a caso se avaliará a situação. Para já, há alguns bancos mais pequenos a captar clientes subindo a remuneração, mas, para já, o Bankinter não equaciona fazê-lo.