Imobiliário

Preços da habitação em Portugal subiram 19% em 2022, o maior aumento anual em 30 anos

23 janeiro 2023 23:59

Vítor Andrade

Vítor Andrade

Coordenador de Economia

d.r

A base de dados da Confidencial Imobiliário conclui que é preciso recuar a 1991 para encontrar uma taxa de variação anual daquela ordem de grandeza (na altura, 18,8%)

23 janeiro 2023 23:59

Vítor Andrade

Vítor Andrade

Coordenador de Economia

Os preços de venda das casas em Portugal (Continental) subiram 18,7% em 2022, a valorização anual mais elevada dos últimos 30 anos, de acordo com o Índice de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário (CI), divulgado esta segunda-feira.

Segundo os responsáveis daquela base de dados do sector imobiliário, “é necessário recuar a 1991 para encontrar uma taxa de variação homóloga no final do ano superior à registada neste último mês de dezembro”. Recorde-se que em 1991 foi apurado um aumento de preços na ordem dos 18,8%, marca que até agora “tinha sido aproximada apenas pelas valorizações observadas nos dois anos anteriores à pandemia, ambas situadas no patamar dos 15,0%”, conclui ainda o último relatório da CI.

2022 deu sequência ao crescimento dos preços

O mesmo documento refere ainda que “o ano 2022 deu, assim, sequência à trajetória de forte intensificação no crescimento dos preços observada desde 2017, ano em que a valorização de 12,8% mais que duplicou a de 5,6% registada em 2016. Os anos 2018 e 2019 consolidaram a tendência, com valorizações homólogas em dezembro de 15,4% e 15,8%, respetivamente”.

Note-se que este ciclo foi apenas interrompido em 2020 – em plena pandemia -, quando os preços de venda da habitação terminaram o ano com um crescimento mais moderado, segundo a CI, de 4,8%. A mesma entidade sublinha ainda que o ano 2021 “foi já de reativação da tendência de intensificação das subidas, registando-se uma valorização homóloga de 12,2%, num percurso ao qual 2022 veio dar continuidade”.

Os analistas da CI notam, porém, que, sem prejuízo da forte valorização registada no final do ano, “2022 registou um comportamento dos preços a dois ritmos. Na primeira metade do ano, mais concretamente até julho, os preços mantiveram uma trajetória de aceleração, com sucessivas subidas mensais médias de quase 2%. A segunda metade de 2022 foi de perda de intensidade, com um arrefecimento das variações mensais, que por duas vezes foram inferiores a 1%, entrando inclusive em terreno negativo (variação mensal de -0,5% em setembro). Daqui resulta que, apesar de ter atingido um valor robusto de 18,7%, a variação homóloga registada em dezembro apresenta uma contração face aos registos da segunda metade do ano, quando este indicador atingiu o pico inédito de 21,1% (em agosto), e é mesmo a mais baixa desde julho”.