Criptomoedas

Binance processou quase 320 milhões de euros em operações com corretora suspeita de lavagem de dinheiro

24 janeiro 2023 15:16

Changpeng Zhao, da Binance

ramsey cardy / web summit / spor

A Binance processou cerca de 346 milhões de dólares em operações com a Bitzlato, corretora de criptoativos que é investigada pelas autoridades norte-americanas por suspeitas de branqueamento de capitais

24 janeiro 2023 15:16

O fundador da corretora de criptoativos Bitzlato, Anatoly Legkodymov, foi preso na semana passada em Miami pelas autoridades norte-americanas por alegadamente ter permitido o processamento de cerca de 700 milhões de dólares (643 milhões de euros) em fundos provenientes de atividades ilícitas, com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos a acusá-lo de operar um negócio que "se vendia a criminosos como no questions asked”, isto é, que não fazia perguntas sobre a origem do dinheiro, segundo o comunicado da detenção.

Esta terça-feira 24 de janeiro, a Reuters noticia que a Binance processou perto de 346 milhões de dólares (318 milhões de euros) em operações em Bitcoin para a Bitzlato, sediada em Hong Kong, na China.

De acordo com dados da Chainalysis a que a Reuters teve acesso, este valor refere-se a 20 mil Bitcoins movimentadas entre maio de 2018 e setembro de 2022, à cotação da altura.

A Binance foi a contraparte que mais dinheiro recebeu da Bitzlato.

E já depois de agosto de 2021, mês da implementação de regras de prevenção de branqueamento de capitais, a Binance movimentou 90 milhões de dólares (83 milhões de euros), de acordo com a Reuters.

Segundo a agência, que cita dados de uma agência do Tesouro norte-americano dedicada à prevenção de crimes financeiros, a FinCEN, a Binance foi uma das três maiores contrapartes nos negócios da Bitzlato e a única das grandes corretoras de criptoativos a pertencer a esse rol no conjunto de transações efetuadas entre maio de 2018 e setembro do ano passado.

Na companhia da Binance estão a plataforma russa de comércio de drogas Hydra, na darknet; a corretora finlandesa LocalBitcoins; e um site russo chamado Finko, que as autoridades norte-americanas classificam como um “esquema Ponzi” de investimento em criptomoedas, segundo a Reuters.

A Binance reagiu indicando que está a trabalhar com as autoridades em relação à Bitzlato; a LocalBitcoins, contactada pela agência, nega qualquer relação com a Bitzlato; os responsáveis já identificados das restantes não responderam aos contactos da Reuters.