Economia

Vinho português à beira de bater recorde nas exportações

10 janeiro 2023 7:53

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"Números de novembro trouxeram boas notícias", diz o presidente da Viniportugal, quando olha para um ranking onde Angola "reaparece em destaque" e onde o crescimento passa os 5% sem o vinho do Porto

10 janeiro 2023 7:53

Dois por cento. Para o sector do vinho esta é a percentagem-chave para falar de "boas notícias" e voltar a acreditar que o ano pode fechar acima da barreira dos mil milhões de euros nas vendas ao exterior, diz ao Expresso o presidente da Viniportugal, Frederico Falcão, depois de ver as exportações crescerem quase dois por cento (1,89%) em valor até novembro, para os 875,5 milhões de euros. Em 2021, no ano completo, as exportações ascenderam a 925,6 milhões de euros, um recorde.
"É uma subida acima das nossas expetativas, a revelar uma excelente recuperação do sector depois de um primeiro semestre negativo", comenta Frederico Falcão, destacando o desempenho de Angola, mercado onde as vendas de vinhos portugueses cresceram 110% em valor (46,3 milhões de euros) e 72,3% em volume (32,2 milhões de litros), agora no sétimo lugar no ranking dos principais destinos dos rótulos nacionais quando a conta é feita em euros, e na segunda posição no que respeita a litros.
Num ano que deverá terminar com um novo máximo de vendas ao exterior, França, o cliente número um dos vinhos portugueses, cai 4,31% m volume e 1,56% em valor (103,3 milhões), mas fica à frente dos EUA, na segunda posição, com 99,68 milhões de euros (+1,92%).
Apesar de os números globais serem positivos, nos 10 maiores mercados dos vinhos nacionais, apenas EUA, Canadá e Angola compraram mais do que em 2021, mostram os números da Viniportugal.

Suíça é quem paga mais

No preço médio por litro, a Suíça é líder no grupo dos 20 maiores mercados de Portugal, com 5,84 euros por litro, acima dos EUA (4,27) e da França (2,81). O preço médio por litro nos primeiros 11 meses do ano foi de 2,86 euros (+1,36%) e o país que teve uma evolução mais positiva neste indicador foi o Japão (+28,2%), para 4,29 euros.
A Rússia continua a marcar presença no top 20 dos clientes de vinhos nacionais, com compras de 8,8 milhões de euros, o que posiciona o país no 16º lugar, com quedas em valor (-4,37%) e em volume (-9,45%) , assim como no preço médio (-5,32%).
Na análise dos números correspondentes aos 11 primeiros meses de 2022, Frederico Falcão nota, ainda, que quando se faz contas à exportação sem o vinho do Porto, o crescimento em valor é de 5,75%, em volume é de 2,69% e no preço médio é de 2,97%.
Neste ranking, que apresenta exportações de 579,8 milhões de euros e 251,4 milhões litros, a liderança é dos EUA (64,9 milhões de euros ), seguidos do Brasil (63,2 milhões) e de Angola (46 milhões), com saltos no preço médio por litro de 15%, 8,9% e 22,3% respetivamente.

Dão em alta, Beiras em baixa

Por regiões, o Vinho do Porto continua a ser a categoria mais exportada (295,7 milhões de euros), apesar de cair 4,9%. O Vinho Verde posiciona-se no segundo lugar, com 77,8 milhões de euros (+6,8%), seguido do Alentejo (73,2 milhões de euros, + 13.4%) e do Douro, nos 66,1 milhões (-1,85%).
O Dão é a região que apresenta maior crescimento num ano, entre novembro de 2021 e o mesmo mês de 2022 (+19,3%), para os 19,7 milhões de euros, e as Beiras destacam-se pela queda mais acentuada (-17,4%) para 696,5 mil euros.