Economia

Centeno vê planalto de inflação e acredita que juros do BCE estarão a atingir o pico

6 janeiro 2023 12:22

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotojornalista

tiago miranda

O governador do Banco de Portugal acredita que as taxas de juro estão a aproximar-se dos valores mais altos caso não haja mais choques externos

6 janeiro 2023 12:22

Tiago Miranda

Tiago Miranda

Fotojornalista

O governador do Banco de Portugal, que por inerência é membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE), Mário Centeno acredita que há margem para que a inflação comece a descer nos próximos meses, sendo que acredita que a arma que está a ser utilizada para a combater, a subida das taxas de juro, também estará perto do seu máximo.

Questionado sobre até onde vão subir as taxas de juro do BCE no podcast Money Money Money, a acontecer na Conferência dos 50 anos do Expresso, Mário Centeno respondeu que “estarão a atingir, em termos de taxas diretoras, valores muito próximos dos seus valores mais altos”. “Isto se não formos sujeitos a mais nenhum choque exógeno dos preços internacionais”, frisou.

"Taxas de juro estarão a atingir, em termos de taxas diretoras, valores muito próximos dos seus valores mais altos. Isto se não formos sujeitos a mais nenhum choque exógeno dos preços internacionais"

A taxa de juro diretora do BCE está em 2,5%, quando estava em zero há um ano, sendo que a autoridade monetária deixou a porta aberta para mais mexidas - que Centeno acredita que serão limitadas - como forma de tentar combater a inflação.

Mas também no que diz respeito à inflação o governador tem considerações positivas a deixar. “Os números divulgados são valores muito positivos”, disse, sobre o abrandamento da inflação na zona euro, que passou de 10,1% para 9,2% em dezembro. Estão “bastante em linha, se calhar até ligeiramente inferior, àquilo que tínhamos previsto”, declarou.

“Janeiro e fevereiro podem até vir a significar um certo planalto nos valores da inflação, mas as expetativas é que depois venha a cair”, antecipou o governador.

Tudo isto se não houver novos choques, como os que têm marcado a economia nos últimos anos: “Não podemos hesitar nesse trajeto. A inflação é mais negativa para a economia do que este processo de normalização das taxas de juro”, continuou.

Redução de dívida

Sobre a atual situação macroeconómica, Mário Centeno declarou que “este é o momento para todos os sectores reduzirem a sua dívida”. “Não há outro”, frisou.

“Estamos em pleno emprego, o que significa que não tivemos em nenhum momento das últimas décadas tanto emprego, tão pouco desemprego e tantos salários pagos. Se não o fazemos quando estamos em pleno emprego, não é quando o ciclo inverter, se inverter, é que o vamos fazer. Essa é a mensagem mais importante. Temos de manter a trajetória orçamental que no contexto europeu tem sido bastante positiva”, justificou o líder do supervisor bancário.


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