Economia

Distribuidoras farmacêuticas dizem ser prioritário subir os preços para garantir o abastecimento de medicamentos

29 dezembro 2022 12:32

joseph eid/getty images

A inflação degradou as margens dos medicamentos e, segundo a Associação dos Distribuidores Farmacêuticos, colocou em risco o acesso dos portugueses a este bem, por isso é necessário atualizar os preços

29 dezembro 2022 12:32

Combater a inflação, continuar a abastecer, aproximar os medicamentos hospitalares dos doentes e reconhecer a distribuição de medicamentos como infraestrutura crítica para o país. São estas as prioridades para 2023 para o setor da distribuição farmacêutica, segundo comunicado divulgado esta quinta-feira pela ADIFA – Associação dos Distribuidores Farmacêuticos.

Ao longo de 2022 a inflação marcou as manchetes dos jornais e abalou a carteira dos portugueses e das empresas e, segundo a ADIFA, a “degradação” das margens dos medicamentos “tem colocado em risco o acesso dos portugueses a este bem essencial” - a tão falada escassez de medicamentos, nos últimos tempos.

A associação explica que, nas últimas duas décadas, a revisão dos preços dos medicamentos em Portugal teve sempre como objetivo reduzir o seu valor, “sem permitir o ajustamento em função da evolução dos custos dos produtos, do seu fabrico, dos procedimentos regulamentares e da sua logística, distribuição e dispensa”.

Por esse motivo, é necessário fazer “uma atualização dos preços dos bens e serviços na Saúde, nomeadamente na cadeia de valor do medicamento, de forma a acompanhar a subida dos custos associados à inflação, aos preços dos combustíveis e energia”. Isto é, é preciso subir os preços, na ótica da associação.

Outra prioridade apontada pela associação do setor é a “transição para as farmácias comunitárias de medicamentos para tratamento de diversas patologias que atualmente são apenas dispensados em meio hospitalar”. Esta medida “oferece benefícios quer às unidades hospitalares quer aos doentes e seus cuidadores, contribuindo para uma melhor gestão da terapêutica do doente e poupando recursos ao SNS e às famílias”.

Por fim, a ADIFA considera prioritário reconhecer a distribuição farmacêutica enquanto infraestrutura crítica nacional. “A par deste reconhecimento, deve proceder-se à consagração legal da atividade de distribuição farmacêutica de serviço completo, com deveres e direitos próprios condizentes com a sua natureza e nível de especialização” e ainda deve ser atribuído ao setor “um regime fiscal mais favorável”.