Economia

Linha renovada e comboios novos em Cascais em 2026

6 dezembro 2022 20:02

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto de Economia

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, acompanhado do presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras, durante a viagem de comboio entre Lisboa e Cascais

Empreitada de modernização foi lançada esta terça-feira e deverá estar concluída em 2025 para que no ano seguinte comecem a circular os novos comboios que substituirão as atuais unidades - algumas já com 60 e 70 anos

6 dezembro 2022 20:02

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto de Economia

A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou esta terça-feira a empreitada de modernização da via e catenária da Linha de Cascais, que foi consignada ao consórcio formado pelas empresas FERGRUPO – Construções Técnicas Ferroviárias e Comsa, pelo valor de 31,59 milhões de euros.

O lançamento da obra foi assinalado numa viagem de comboio entre a estação do Cais do Sodré, em Lisboa, e a estação de Cascais e é apontado como determinante para modernizar uma linha que há muito aguarda por investimento. Deverá estar concluída em 2025 e contempla a migração do atual sistema de eletrificação em corrente contínua para um sistema em corrente alternada, com a substituição integral da catenária (sistema de distribuição e alimentação elétrica aérea).

Assim que a renovação estiver concluída, a linha já estará apta para receber os novos comboios que a CP está a comprar. O presidente da CP, Pedro Moreira, presente no evento, referiu que os primeiros 34 comboios que vão chegar do lote de 117 que está a ser comprado irão para a linha de Cascais, que neste momento tem os comboios mais antigos do país, alguns dos quais com 70 anos.

A obra agora lançada vai obrigar à intervenção na linha durante a noite o que, alertam os responsáveis da IP presentes no evento, causará constrangimentos a partir das 23h - serão disponibilizados autocarros como alternativa nos troços intervencionados - e provocará ruído.

Este é mais um passo do projeto de modernização da Linha de Cascais que a IP está a executar e é cofinanciado pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) no âmbito do Portugal 2020. Passa pela realização de trabalhos ao nível da catenária e via, cuja empreitada foi agora consignada. Haverá também a configuração das vias nas estações de Algés, Oeiras, Carcavelos, São Pedro e Cascais, a instalação da nova ligação nascente ao Parque de Material Circulante de Carcavelos e a instalação de novos desvios em vias existentes (Santos, Belém e Santo Amaro), empreitada que também foi agora consignada.

Em curso está a construção de uma Subestação de Tração Elétrica em Sete Rios para alimentar esta linha, assim como a instalação de um novo sistema de sinalização e de um sistema de controlo de velocidade do tipo European Train Control System (ETCS) de Nível 2.

A IP está, por outro lado, a preparar concursos para a implementação de sistemas de videovigilância e informação ao público, para a beneficiação de estações e apeadeiros, intervenções em passagens de nível e nos atravessamentos de nível em estação/apeadeiro e ainda a instalação de um cabo de alimentação entre Sete Rios e a Linha de Cascais.

Ligação à linha de Cintura ‘garantida’

Carlos Fernandes, vice-presidente da IP, adiantou que haverá uma segunda fase de intervenção na linha de Cascais que passa pela ligação à linha de Cintura. É um projeto há muito reclamado que o ministro das Infraestruturas garantiu que vai acontecer embora não se tenha comprometido com datas porque, lembrou, há muita obra já em curso e muita obra para ser lançada em todo o país.

Quando esta ligação estiver concluída permitirá que haja comboios entre Cascais e o resto do país, nomeadamente com a linha do Norte e com a nova linha de alta velocidade entre Lisboa e o Porto que se prevê que esteja praticamente concluída em 2030. A ligação será feita em Alcântara mas Pedro Nuno Santos garantiu que continuará a haver comboios para o Cais do Sodré porque os comboios têm de chegar ao centro das cidades.

No final da deslocação entre Lisboa e Cascais, Carlos Carreiras, presidente da câmara de Cascais, elogiou o ministro das Infraestruturas, dizendo que ele prometeu e está a cumprir, ao contrário dos antecessores. O vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Francisco Rocha Gonçalves, também esteve no evento ao contrário do presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, que era esperado no evento e não compareceu.

A linha de Cascais tem 25,45 quilómetros de extensão e tem um sistema de eletrificação e um sistema de controlo de velocidade dos comboios na aproximação dos sinais diferentes da restante Rede Ferroviária Nacional. O material circulante é exclusivo para este troço, o que tem limitado a oferta do sistema ferroviário. E é uma ‘ilha ferroviária’ já que a partir dela não é possível viajar para mais lado nenhum, algo que a ligação à Linha de Cintura vai mudar.