Economia

Criptomoedas: FTX procura resgate enquanto é investigada pelas autoridades

Criptomoedas: FTX procura resgate enquanto é investigada pelas autoridades
Chesnot/Getty Images

Numa semana a FTX colapsou e com ela vários criptoativos começaram a derrapar. Agora, enquanto a corretora está a ser investigada pelas autoridades, procura um resgate de 9,4 mil milhões de dólares

Foi uma semana intensa para as criptofinanceiras e para os investidores em criptoativos que, da noite para o dia, viram as suas carteiras perder valor. No centro do ‘furacão’ encontramos a corretora FTX, de Sam Bankman-Fried, que chegou a ser um dos jovens mais ricos do mundo, e que prometeu doar 99% da sua fortuna à caridade. Agora, a corretora está a tentar urgentemente captar 9,4 mil milhões de dólares de investidores e até da concorrência, noticia a “Reuters”. Tudo isto acontece enquanto está a ser investigada pelas autoridades norte-americanas.

Os problemas parecem estar a multiplicar-se a alta velocidade na FTX. Na quinta-feira, a Comissão de Valores Mobiliários das Bahamas disse que congelou ativos da FTX Digital Markets, uma subsidiária da FTX. E, no mesmo dia, foi noticiado que o colapso da plataforma de comercialização de moedas digitais levou as autoridades dos EUA a investigar a empresa por violações potenciais das regulamentações dos títulos e os analistas a anteciparem mais problemas para este mercado. Também o dono, Bankman-Fried, está a ser investigado.

Várias entidades suspenderam as suas operações com a corretora e outras, como o grupo Softbank reduziram totalmente a sua exposição.

"Acreditamos que há uma probabilidade de 20 a 30% de um resgate do FTX na melhor das hipóteses", disse à agência de notícias Matthew Dibb, diretor de operações da Stack Funds, gestora de investimentos em criptomoedas com sede em Singapura.

"O dano parece estar feito e, mesmo que a FTX seja resgatada, já perdeu toda a credibilidade", acrescentou.

Mas afinal, o que aconteceu?

Na terça-feira, a SBF anunciou que a Binance, a sua maior concorrente, iria adquirir a FTX e a Alameda depois de dias de liquidações massivas da parte de investidores terem degradado a solvência das duas entidades. Dias antes, Changpeng Zhao, líder da Binance, começou a levantar dúvidas públicas sobre a solvência da FTX e da Alameda.

O site especializado CoinDesk avançou, a 2 de novembro, a notícia de que a Alameda usou os tokens que a própria FTX tinha emitido, os FTT, como colateral das responsabilidades que tinha perante investidores e credores.

Grosso modo, uma empresa do mesmo proprietário criou uma moeda, emitiu milhares de unidades dessa moeda, e usou essa mesma moeda como colateral para a sua própria atividade.

Changpeng, que tinha um montante de FTT em carteira na Binance depois da venda de uma posição na FTX em 2021, anunciou num tweet que iria vender a sua posição em FTT. Como o responsável tem muita relevância no setor, não demorou para a corrida à liquidação deste criptoativo iniciar.

Momentos depois, dava-se então o anúncio de que a FTX e a Alameda iriam ser compradas (ou melhor, resgatadas) pela Binance.

O choque entre a comunidade dos criptoativos foi enorme, tendo em conta o estatuto que Bankman-Fried conseguiu obter nos últimos meses, esfumando-se numa tarde ao ser engolido pela maior plataforma de corretagem cripto do mundo.

Na quarta-feira, o negócio acabaria por cair, com a Binance a alegar que “a due dilligence” efetuada pela plataforma e "notícias de uso indevido de fundos e de alegada investigações de reguladores norte-americanos" foram responsáveis pelo fim do resgate. Changpeng recusa qualquer plano maléfico por trás disto.

Escusado será dizer que, toda esta confusão se fez sentir no mercado dos criptoativos, onde várias moedas se encontram em queda.

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