Economia

Novo Banco quer “ter o destino” nas suas mãos: “Se é IPO, se é outra situação, não sei”, diz administrador

10 novembro 2022 11:05

ana baiao

Administrador do Novo Banco admite que o objetivo do banco é estar preparado para "as oportunidades que surjam". BCP, Santander e BPI ouviram a posição do concorrente, mas não revelaram grande entusiasmo para já

10 novembro 2022 11:05

O Novo Banco está a preparar-se para o futuro, mas não sabe muito bem qual é. O importante é “ter o destino nas mãos”. “Se é IPO [oferta pública para ser colocado em bolsa], se é outra situação, não sei. Não podemos antever o que vem à nossa frente”, admitiu o administrador do Novo Banco Luís Ribeiro, em declarações que prestou na Money Conference.

No evento organizado pelo Diário de Notícias que teve lugar esta quinta-feira, 10 de novembro, Luís Ribeiro não se quis comprometer sobre qual a opção que o banco vai tomar, se passará por venda direta ou ida para a bolsa.

“O trabalho da gestão do Novo Banco e das suas equipas é, em primeiro lugar, ser rentável, ser robusto, defender os interesses dos clientes, acionistas, todos os stakeholders, e ter um papel ativo na economia portuguesa, e estar aberto a todas as oportunidades que surjam”, disse Luís Ribeiro. “O Novo Banco, o que está a fazer é estar preparado para continuar a ser um banco independente. O que vem à frente não sabemos, estamos é preparados”, continuou.

Esta posição de que o banco quer ser autónomo e independente tem vindo a ser trazida pela gestão e já esta semana tal foi afirmado pelo presidente executivo (CEO), Mark Bourke, numa entrevista à Reuters, sendo que o CEO apontou mais diretamente para uma estreia em bolsa. Sobre essas possibilidades, os acionistas minoritários, o Tesouro nacional e o Fundo de Resolução, não têm querido fazer comentários.

De qualquer forma, em relação a eventuais fusões no mercado nacional, o administrador do banco da Lone Star frisou que há já níveis de concentração elevados em Portugal, mais que noutros países europeus, mas também lembrou que o mercado português “é mais pequeno”.

Sem entusiasmo para fusões

No painel em que Luís Ribeiro falou estavam outros banqueiros nacionais, mas não houve grande entusiasmo em mostrar interesse no banco.

Miguel Maya declarou que o BCP, a que preside, tem a preocupação de ser mais eficiente, mas até frisou que o Novo Banco está a fazer um caminho “bem feito”. Porém, questionado sobre se o Novo Banco era agora uma noiva mais bem preparada, Maya brincou: “já sou casado”.

Do lado do Banco BPI, em que o seu acionista CaixaBank tem sido apontado como potencial interessado na instituição, não houve também grande demonstração de interesse. “Nós estamos completamente focados em nós próprios, e seria muito pouco elegante estar a fazer comentários”, declarou o presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa.

“Não está no nosso horizonte, estamos completamente focados”, foi a ideia transmitida por Miguel Belo, administrador do Santander em Portugal, também presente na mesma conferência.

O Novo Banco resultou da aplicação da medida de resolução ao BES, em 2014, e desde aí tem custado dinheiro aos contribuintes, numa fatura que já superou os 8 mil milhões de euros.