Economia

Banco Montepio consegue melhor primeiro semestre desde 2010 com lucros de €23,3 milhões

1 agosto 2022 10:14

Foto: Banco Montepio

Com mais receitas, menos custos e recuo nas imparidades, Banco Montepio abandona prejuízos

1 agosto 2022 10:14

O Banco Montepio conseguiu melhorar a sua base de receitas, diminuiu o conjunto dos custos e baixou o nível de imparidades para créditos: foi assim que conseguiu abandonar os prejuízos semestrais registados no início de 2021 para reportar lucros nos primeiros seis meses de 2022. É, aliás, o melhor desempenho no resultado líquido desde 2010.

De janeiro a junho, o Banco Montepio apresentou um lucro de 23,3 milhões de euros, face às perdas de 33 milhões no mesmo período do ano anterior, segundo a apresentação à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), publicada esta segunda-feira, 1 de agosto. Mais uma vez, a gestão de Pedro Leitão optou por não fazer qualquer conferência de imprensa.

A nível de resultados, a margem financeira (diferença entre juros cobrados e juros recebidos) cedeu 5,6% para 120,6 milhões de euros, “refletindo o aumento dos proveitos nas aplicações em títulos e tomadas de fundos”.

As comissões subiram 8,6%, mantendo uma tendência que é totalmente transversal ao sector bancário. Os resultados em operações financeiras melhoraram.

Na soma destes indicadores de proveitos, o produto bancário subiu 11,9%, totalizando 178,5 milhões. Apesar de ser um aumento, a verdade é que esta rubrica, que corresponde à soma dos proveitos, está aquém do valor semestral de 2019, revelando o caminho que ainda há pela frente do banco para conseguir uma sustentada base de receitas.

Redução de pessoal para continuar

No campo dos custos, houve um recuo de 6,1% para 121,4 milhões de euros, conseguido sobretudo com os custos com pessoal, que cederam 8,5%. No último ano, o banco passou de 271 para 254 agências e de 3 283 trabalhadores para 3 104.

“No agregado, o programa de ajustamento operacional iniciado no último trimestre de 2020 revela uma redução de 413 colaboradores (-11%) e de 74 balcões geograficamente redundantes (-23%), até junho de 2022”, sublinha o comunicado.

Os objetivos do banco passavam por fazer uma redução de pessoal até ao próximo ano que podia ascender até aos 900 funcionários, pelo que há ainda caminho por percorrer.

Menores imparidades, NPE cede

Nas imparidades e provisões, houve uma melhoria face ao ano anterior, e, por exemplo, o dinheiro posto de lado para eventuais perdas em créditos futuras baixou de 55 milhões para 3 milhões.

Apesar disso, o nível de ativos problemáticos é ainda acima à média do sector, sendo que o conjunto de exposições não produtivas (NPE) baixou, mas representa ainda 7,7%.

“O crédito a clientes (líquido de imparidades) totalizou 11.921 milhões de euros no final de junho de 2022, evidenciando um aumento de 253 milhões de euros (+2,2%) face ao valor registado no final de 2021”, indica o comunicado. Já os depósitos somaram 1,9% para 13 036 milhões de euros.

Angola ajuda capital

Um dos temas mais delicados no Banco Montepio, pela ausência de acionistas com capacidade para injetarem dinheiro se necessário, os rácios de capital do banco estão a melhorar. O rácio mais exigente, o CET 1, passou de 11,8% no fim do ano para 12,6% em junho, “revelando uma confortável posição acima do requisito mínimo regulamentar de 9,08%”.

“Nos últimos 12 meses o Banco Montepio registou uma melhoria significativa nos rácios de capital, suportada numa eficiente performance financeira e na evolução favorável no corrente ano da componente cambial associada ao kwanza resultante da atividade do Finibanco Angola”, escreve o comunicado de resultados.