Economia

BCP recebe investidores internacionais: Novo Banco é um dos temas, mas não há interesse na compra

16 maio 2022 18:24

Miguel Maya, presidente executivo do BCP. Foto: Ana Baião

Banco espera reforçar solidez nos próximos meses com nova contabilização de atividades internacionais, mas não é para entrar em operações de concentração

16 maio 2022 18:24

O BCP tem tido, ao longo dos anos, várias reuniões com investidores internacionais e bancos de investimento globais, e nesses encontros a união com o Novo Banco é um dos assuntos discutidos. Porém, mais uma vez, há uma resposta do presidente do maior banco privado: não há interesse do BCP em comprar a instituição financeira herdeira do BES.

“Os bancos de investimento contactam os bancos comerciais, como os bancos comerciais contactam os seus clientes”, resumiu na conferência de imprensa desta segunda-feira, 16 de maio, em Oeiras, Miguel Maya, o CEO do Millennium BCP, quando questionado sobre as reuniões que teve com fundos internacionais e bancos globais em que o Novo Banco foi tema.

“Alguns de nós, sobretudo o Dr. Miguel Bragança [administrador financeiro] e eu próprio, recebemos com muita frequência investidores internacionais, que querem saber oportunidades. E não me recordo de nenhuma reunião em que não tenham vindo com grandes sugestões sobre o Novo Banco”, explicou Miguel Maya aos jornalistas.

Sem interesse, mas de olho

Aliás, para o presidente executivo do banco que tem a Fosun e a Sonangol como principais acionistas, pode haver sugestões, mas não há interesse. “O nosso crescimento é orgânico”, sublinhou Maya, repetindo aquilo que vem já dizendo: a operação do BCP é para crescer por si, e não com a aquisição de outros bancos. “Não faz parte mesmo da nossa estratégia, para que isso fique claro de uma vez por todas”, disse.

Além deste ponto, Miguel Maya voltou a dizer que, embora não querendo o crescimento inorgânico, estará sempre atento às operações que vão sendo colocadas no mercado.

Neste momento, o Novo Banco está em processo de mudança de gestão, com António Ramalho a dar lugar a Mark Bourke como presidente executivo, perspetivando-se que possa vir a estar já a ser preparada uma eventual operação de saída da Lone Star. A imprensa especializada tem apontado para a colocação em bolsa do banco. Miguel Maya não tem posição: “Se é IPO, se não, é uma boa questão para colocar aos acionistas do Novo Banco, o BCP não tem nenhuma opinião sobre essa matéria”, declarou, acrescentando que a preocupação é aquela que tem há vários anos – que o BCP pague menos para o Fundo de Resolução, que financiou o resgate e sobrevivência do Novo Banco.

Melhores rácios

As declarações foram proferidas na conferência de apresentação de contas do BCP do primeiro trimestre, período em que praticamente duplicou os lucros (para 113 milhões de euros) e em que conseguiu melhorar os rácios de capital – e o banco quer melhorar ainda mais.

Por isso, o BCP solicitou a aplicação de uma contabilização específica do risco cambial, que faria com que os rácios subissem (o CET1, o mais exigente, passaria de 11,5% para 12%; o rácio total, que abarca mais títulos, subiria de 15,5% para 16,2%).

“Tudo isso nos coloca numa posição de maior independência para poder tomar as nossas decisões, se isso significa que estamos mais interessados [no Novo Banco]? Nada, zero”, atirou Miguel Maya.