Economia

Certificados de reforma do Estado rendem mais do que PPR no longo prazo

12 março 2022 21:18

Elisabete Miranda

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Jornalista

Sónia M. Lourenço

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Rentabilidade média dos certificados de reforma desde 2008 é de 3,1%, o que compara com 2,2% no caso dos PPR sob a forma de fundo de investimento

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Elisabete Miranda

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Sónia M. Lourenço

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Defensiva. É essa a política do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS) no investimento dos fundos alocados em certificados de reforma. A carteira de ativos pode ter ações, mas com pouco peso no total, o que limita o potencial de ganhos em períodos de alta das Bolsas, mas também limita as perdas quando os índices acionistas se tingem de vermelho. Uma estratégia que, no longo prazo — horizonte da poupança para a reforma —, está a resultar. Feitas as contas, entre 2008 — ano de lançamento dos certificados de reforma — e 2021, a rentabilidade média anual é de 3,1%, um valor acima da média de 2,2% alcançada pelos Planos de Poupança Reforma (PPR) sob a forma de fundos de investimento.

Conhecidos como PPR do Estado, os certificados de reforma visam a obtenção de um complemento da pensão, através de contribuições para um fundo de contribuição definida — uma percentagem sobre o salário — e de capitalização real. Sem capital garantido, nem rentabilidade mínima assegurada, “comparam-se a um fundo de investimento defensivo, podendo investir em ações, mas com limite máximo de 25% da carteira de ativos”, aponta António Ribeiro, especialista da Deco/Proteste. E distancia-se dos PPR sob a forma de seguro, onde a maioria garante capital e muitos têm rentabilidade mínima assegurada. É essa, aliás, a explicação para a grande maioria do mercado nacional de PPR ser constituído sob a forma de seguros, já que “o perfil do aforrador português é muito conservador. Prefere investir num produto com menos rendimento, mas com capital garantido”, vinca António Ribeiro. Contudo, “nos últimos anos, os PPR com remuneração garantida são cada vez menos”, chama a atenção a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP). Como resultado, “temos assistido a um crescimento muito significativo dos PPR constituídos sob a forma de fundos de investimento mobiliário, que já representam perto de 20% do mercado”, diz a mesma fonte (ver tabela, em cima).