Economia

Imobiliário. Mercado de escritórios só vai recuperar em 2024

25 setembro 2020 8:28

André Rito

Nos próximos tempos o sector terciário vai ter de reaprender a trabalhar

foto d.r.

Apesar da tendência crescente do teletrabalho, o relatório da consultora Cushman & Wakefield agora divulgado prevê que o setor recupere de forma lenta mas para níveis anteriores à crise pandémica

25 setembro 2020 8:28

André Rito

O mercado dos escritórios tem sido dos mais afetados pela pandemia. O teletrabalho que muitas empresas implementaram para garantir o distanciamento social provocou fortes quebras no sector. Num relatório “Global Office Impact Study” agora divulgado, a consultora Cushman & Wakefield estima que o setor começará a melhorar em 2022, recuperando totalmente 2 a 3 anos depois, dependendo da região.

“A total recuperação prevista é consistente com o que foi observado na crise financeira de 2008, apenas com um ligeiro atraso devido à tendência do teletrabalho”, revela a consultora cujo relatório foi desenvolvido pelo Global ThinkTank, composto por uma equipa de investigadorese economistas de todo o mundo, que analisaram as mudanças cíclicas e estruturais com impacto no mercado global de escritórios, assim como as suas implicações para a recuperação.

“Quisemos responder à questão fundamental de “qual o futuro do escritório?”, e para isso estudámos cientificamente os fatores criados pela pandemia e os seus efeitos no setor de escritórios”, comenta Kevin Thorpe, Economista Chefe e Diretor de Pesquisa da Cushman & Wakefield. “Examinámos o impacto coletivo desses fatores, incluindo o desemprego, taxas de disponibilidade, rendas, características geográficas e a expansão do trabalho remoto, para estabelecer os cenários futuros, que segundo as nossas previsões apontam para a total recuperação deste mercado, reconhecendo no entanto que todos os mercados têm especificidades locais e nem todos terão o mesmo padrão de recuperação”.

As conclusões principais do “Global Office ImpactStudy 2020” assumem a total recuperação da economia e do emprego para o primeiro trimestre de 2022, com um aumento de procura de escritórios e das rendas. Em 2025, a taxa de disponibilidade global de escritórios deverá alcançar os níveis pré-crise de 11% aproximadamente, assim como os valores de arrendamento.

“Mesmo que a tendência de teletrabalho abrande a recuperação do mercado de escritórios, o crescimento generalizado de empregos baseados em escritórios, juntamente com outros fatores como a cultura corporativa e produtividade, indicam que o escritório continuará a representar um papel importante na economia no futuro”, disse RebeccaRockey, Global Head of Forecasting da Cushman&Wakefield. “ Com este estudo, analisamos um futuro incerto, com base na ciência e em dados empíricos”.

O “Global Office Impact Study 2020” é o primeiro de quatro relatórios que fornecerão uma nova perspetiva em relação ao futuro dos escritórios, e o papel que terão num ambiente pós-pandemia.