Economia

GoParity lança no Brasil o seu primeiro projeto internacional de financiamento colaborativo

1 junho 2020 10:25

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A empresa portuguesa de "crowdfunding" quer levantar 50 mil euros para duas pequenas centrais solares no Brasil, em parceria com a empresa sueca Recap, oferecendo um juro de 5,8% durante cinco anos

1 junho 2020 10:25

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A empresa portuguesa GoParity, que se dedica a montar projetos de financiamento colaborativo ("crowdfunding"), acaba de lançar o seu primeiro projeto internacional. Trata-se de uma campanha para angariar 50 mil euros para duas pequenas centrais solares no Brasil, que serão instalados num estádio de futebol e num centro comercial.

O projeto nasce em parceria com a empresa sueca Recap de energia solar, que irá operacionalizar no terreno a instalação dos painéis solares, e está aberto a investimentos a partir de 20 euros, que renderão juros de 5,8% durante cinco anos.

Os 50 mil euros serão investidos em duas centrais solares, uma no estádio do Americano Futebol Clube, em Campo dos Goytacazes (Estado do Rio de Janeiro), e a outra num centro comercial em Florianópolis (Estado de Santa Catarina).

O fundador da GoParity, Nuno Brito Jorge, explicou ao Expresso que o contacto com a Recap surgiu há três anos, quando, ao estruturar um financiamento para uma escola, uma das mães de um aluno da escola, trabalhando na área das alterações climáticas, lhe apresentou um contacto da sueca Recap.

"Estávamos a fazer só projetos em Portugal e há muito tempo a estudar sobre como ir para o Brasil. E com a licença que temos [para financiamentos de "crowdfunding"] a única forma de estar noutros países é a empresa financiada ter sede em países europeus", conta Nuno Brito Jorge.

"Para nós este é um passo muito importante, porque é um modelo fácil de replicar", acrescenta o fundador da GoParity.

Mas porque é que os promotores deste projeto aceitam pagar aos pequenos investidores juros de 5,8%, em vez de irem à banca? "Não é fácil conseguir na banca europeia financiamento para lá [para o Brasil] e o custo de capital no Brasil é mais elevado", explica Nuno Brito Jorge.

Com a Covid-19 parte dos projetos pediram renegociação

O líder da GoParity admite que a pandemia da Covid-19 foi "extremamente desafiante", porque levou os promotores de nove dos 38 projetos já financiados na GoParity a pedir uma renegociação dos empréstimos.

A GoParity auscultou mais de 900 pequenos investidores, que na maior parte se mostraram compreensivos. Segundo Nuno Brito Jorge, 95% deles aceitaram um período de carência de reembolso de capital de seis meses.

Apenas um promotor solicitou mais tempo de carência de capital, por estar também à espera de pagamentos comunitários. É um projeto de produção de ostras em Setúbal, cuja primeira campanha de financiamento o Expresso noticiou em julho do ano passado. E 75% dos investidores, representando mais de 90% do capital, aceitaram os termos sugeridos pela GoParity.

"As reações dos investidores têm sido super-positivas", nota Nuno Brito Jorge.

A GoParity emprega 12 pessoas e até ao momento já levantou financiamentos colaborativos de mais de 2 milhões de euros junto de mais de 6 mil investidores. Os projetos financiados irão evitar a emissão de quase 8.300 toneladas de CO2 por ano.