Economia

Paula Amorim e Claude Berda compram Comporta (exceto dois lotes) por menos de €150 milhões

19 novembro 2019 20:01

O fundo imobiliário da Herdade da Comporta é um dos principais ativos na carteira da Gesfimo

joão carlos santos

Houve dois lotes de terreno que não foram adquiridos pelo consórcio comprador da Comporta. Houve, por isso, um desconto de 9 milhões de euros. Esta quarta-feira, há reunião dos donos do fundo imobiliário para informar sobre o processo de venda

19 novembro 2019 20:01

Paula Amorim e Claude Berda já fecharam a compra dos principais ativos da Herdade da Comporta na passada semana. Porém, o preço que pagaram ficou abaixo dos 157 milhões de euros que inicialmente foi avançado. Houve uma parcela do negócio que não foi adquirida por estes investidores e, portanto, houve um “desconto” de cerca de €9 milhões, segundo uma fonte do agrupamento comprador.

“O consórcio Vanguard Properties e Amorim Luxury adquiriu hoje à Gesfimo [gestora de ativos] os ativos imobiliários do Fundo da Herdade da Comporta”, indicava o comunicado dos compradores, enviado às redações na semana passada. Não havia referência ao preço. Mas, até aqui, sempre foi assumido o preço de 157 milhões de euros.

Só que, questionada pelo Expresso, fonte oficial do consórcio explicou que o preço efetivo foi inferior: o valor da compra pelo consórcio foi em torno de 148 milhões de euros.

O fundo imobiliário da Herdade da Comporta estava a vender não só os seus dois principais ativos (terrenos em Grândola e Alcácer do Sal), como também uma quota de 50% de uma empresa detida em parceria com alemães, a DCR&HDC Developments – Atividades Imobiliárias, que tem dois lotes de terreno. Terá sido exercido o direito de preferência pelos parceiros, tendo, por isso, havido um desconto em torno de €9 milhões no preço por parte do consórcio comprador.

A maior parte do dinheiro da transação servirá para saldar a dívida do fundo imobiliário à Caixa Geral de Depósitos, que se aproximava dos 120 milhões de euros, sendo que só depois de pagar também a outros credores é que os participantes poderão receber uma parcela.

Reunião para dar informação

A venda será discutida esta quarta-feira, 20 de novembro, já que se realiza uma assembleia-geral do fundo imobiliário que detém os ativos imobiliários vendidos. O objetivo é o de dar informação aos detentores das unidades de participação do fundo, ou seja, o seu dono. Entre eles está, com 59%, a falida Rioforte, antiga empresa de topo do Grupo Espírito Santo que luta para poder levar o dinheiro para o Luxemburgo, o Novo Banco, com cerca de 15%, e ainda outros 85 titulares de unidades de participação (onde há membros da família Espírito Santo, histórica dona do empreendimento).

Depois desta operação, o fundo imobiliário ficará esvaziado de ativos, pelo que a liquidação é o seu destino mais provável. A sua gestora de ativos, a Gesfimo, cuja principal acionista é também a Rioforte, já está com a atividade limitada, como o Expresso já escreveu.

A venda da Herdade da Comporta, que pertencia ao Grupo Espírito Santo, arrasta-se há anos, tendo esbarrado em aspetos burocráticos e judiciais, sobretudo devido ao arresto judicial que foi decretado aos ativos do universo ligado a Ricardo Salgado.

A assembleia de participantes foi marcada pela Gesfimo depois de atrasos repetidos, bem como depois de uma notícia do “Observador” a dar conta de um processo colocado por uma sociedade lesada pela queda do GES, a Total Value, que queria suspender o negócio.