Economia

Nov (ex-Lena) alia-se a chineses para a ferrovia

26 agosto 2019 13:03

O grupo Nov, presidido por Joaquim Paulo Conceição,tem um parceiro chinês paras as obras de ferrovia e subterrâneas

marcos borga

Sem crédito bancário, o grupo da família Barroca encontrou nas parcerias um modelo para superar as adversidades. Consórcio luso-chinês na corrida aos dois concursos do metro do Porto.

26 agosto 2019 13:03

Sem acesso a garantias bancárias nem novo financiamento, o grupo Nov (ex-Lena) recorre a parcerias para mitigar essa adversidade. No caso das obras ferroviárias, o parceiro é um dos gigantes do setor, a China Railway Tunnel.

O consórcio luso-chinês (a parte portuguesa detém 60%) estreou-se na concurso da expansão do metro de Lisboa, mas a reclamação de um concorrente levou à sua desclassificação.

A aliança reincide no metro do Porto, estando na corrida aos dois concursos que estão em cartaz, avaliados em 300 milhões.

"É uma parceria de caráter estratégico que se aplica a todos os mercados, como o Brasil, em que o grupo Nov opera", diz ao Expresso Joaquim Paulo Conceição, presidente executivo do conglomerado da família Barroca Rodrigues.

No Brasil, o consórcio está a finalizar uma proposta para uma linha de metro ligeiro. Na Europa, interlocutor do Nov é a sucursal do conglomerado na Suécia.

Experiência e financiamento

A China Railway Tunnel é o braço de engenharia pesada do conglomerado estatal China Railway Engineering Corporation, com uma faturação equivalente a 84 mil milhões de euros e um valor na bolsa de Hong Kong de 15 mil milhões de euros - estas duas cifras multiplicam por 35 os indicadores similares da Mota-Engil, o campeão português da fileira da construção.

A construtora de Leiria beneficia desta parceria em dois planos: capacidade técnica e conforto financeiro. A Lena Engenharia tem alvarás e currículo para todo o tipo de obras de engenharia, mas o deserto de concursos nos últimos anos afetou-lhe a experiência.

Com obras de engenharia pesada em países como Israel, Singapura, Malásia ou Uzbequistão, a China Railway "domina as mais recentes tecnologias da construção de túneis", reconhece Joaquim Paulo Conceição. No plano financeiro, "como a parceria se traduz num Agrupamento Complementar de Empresas (ACE) ganhamos uma posição mais sólida e confortável", acrescenta.

Joaquim Paulo promete "excelente propostas" para os dois concursos do metro do Porto. Neste caso, ao contrário de Lisboa, os projetos são entregues aos concorrentes pela empresa do metro. Mas, o gestor reconhece que os outros concorrentes "também se vão esforçar por apresentar propostas ganhadoras".

Na corrida encontram-se mais três consórcios portugueses, liderados pela Mota-Engil, Teixeira Duarte e Alexandre Barbosa Borges (ABB), um brasileiro (Zagope, ex - Andrade Gutierrez) e dois de raiz espanhola: Sacyr Somague e Acciona.

A parceria com uma companhia chinesa é a primeiro que se verifica no mercado da construção português.

Na promoção imobiliária, a Teixeira Duarte (TD) aliou-se à China State Construction Engineering Corporation, vendendo 50% da sociedade que vai desenvolver um projeto em Oeiras. O mesmo conglomerado negociara com a TD a sua participação de 7,5% na Lusoponte, mas os acionistas da empresa exerceram o direito de preferência, inviabilizando a entrada de capital chinês na operadora.

Em 2019, o grupo Nov conta faturar 250 milhões de euros - o negócio da construção representará metade deste valor.