Economia

O que muda em Lisboa com o novo aeroporto

Se o Montijo avançar vão desembarcar na Grande Lisboa mais de 50 milhões de passageiros dentro de três anos e praticamente duplicará o número de movimentos por hora. Avifauna e ruído é o mais problemático, mas há ‘luz verde’ para o projeto avançar

3 agosto 2019 15:50

Anabela Campos

Anabela Campos

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Jornalista

Jaime Figueiredo

Jaime Figueiredo

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Coordenador-Geral de Infografia

Começou a contagem decrescente para a construção de um novo aeroporto na Grande Lisboa: o do Montijo. A consulta pública para o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) arrancou esta semana e prolonga-se até 19 de setembro — só uma inesperada reviravolta levará a que o projeto não avance. Aliás, o primeiro-ministro, António Costa, já veio dizer que se houver ‘luz verde’ ao EIA o Montijo é “irreversível”. O governante também já deixou claro que não há um ‘plano B’, pelo que, com o aeroporto de Lisboa sobrelotado e a operar no limite da sua capacidade nas horas de pico, é gigantesca a pressão política para transformar a base aérea militar num aeroporto civil. O peso da decisão está em cima da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que é a quem cabe o veredicto final. No limite, e na eventualidade de um chumbo, o Governo pode sempre invocar o interesse nacional.

A localização não é pacífica. A Moita e o Barreiro — as regiões mais afetadas pelo novo aeroporto — têm uma oposição divergente, a primeira é contra, por causa das consequências para a saúde dos habitantes e do ordenamento do território, e a segunda a favor, pelo desenvolvimento que trará à zona, em emprego e mobilidade.

Os ambientalistas levantam bandeira vermelha, apesar das medidas de mitigação e compensação propostas pelo EIA ao nível da avifauna do estuário do Tejo e do ruído, os maiores impactes negativos previstos no estudo encomendado pela ANA — Aeroportos de Portugal, controlada pela francesa Vinci. A associação ambientalista Zero defende que aprovar o Montijo é prolongar o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, por mais 40 anos — um sinal de alerta para uma cidade que está já sobrecarregada com o aumento exponencial de voos, e com o que isso acarreta de ruído e poluição.

Se o Montijo avançar serão despejados na Grande Lisboa mais de 50 milhões de passageiros dentro de três anos — 7,8 milhões via Montijo —, e praticamente duplicará o número de movimentos por hora, que subirá dos atuais 38 para os 72.

Carla Graça, vice-presidente da associação ambientalista Zero, reafirmou a necessidade de se efetuar uma Avaliação Ambiental Estratégica, um estudo que englobe o impacte ambiental conjunto de Lisboa e Montijo, e que avalie todas as alternativas, inclusive a não construção. “Com a construção do Montijo há um mito que cai, já que o novo aeroporto não servirá para aliviar Lisboa. Na verdade, a ANA irá investir mais no aeroporto Humberto Delgado (€650 milhões) do que no Montijo (€520 milhões)”, frisa. O Montijo dista 25 quilómetros de Lisboa.

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