Economia

Venda de casas deverá abrandar em 2019 por causa do menor poder de compra dos portugueses

28 fevereiro 2019 23:59

nuno botelho

Apesar de a procura continuar forte, há falta de oferta a preços que os portugueses consigam pagar, pelo que a imobiliária Century 21 prevê um arrefecimento no volume de transações em 2019

28 fevereiro 2019 23:59

Este ano, a venda de casas a nível nacional deverá abrandar devido à diminuição do poder de compra dos portugueses, apesar de estes manterem um forte interesse na aquisição de casa própria, adverte Century 21. A rede imobiliária fechou 2018 com um aumento de vendas de 17%, equivalendo a 12,5 mil casas transacionadas (num valor total de 896,6 milhões de euros), mas já sentindo "uma evidente falta de oferta" a preços a que as famílias portuguesas consigam pagar.

"Verifica-se uma forte procura, quer nacional quer internacional, e os indicadores sustentam que irá continuar elevada ao longo de 2019. Porém, o decréscimo do poder de compra dos portugueses será um dos fatores de condicionamento da evolução do mercado", adianta Ricardo Sousa, CEO da Century Portugal.

O preço médio para venda na atual oferta de habitação supera em 24,9% o que os portugueses estão disponíveis para pagar, segundo apurou a Century 21. A nível nacional, o que os portugueses mais procuram é um apartamento em segunda mão e sem precisar de obras, com três quartos e duas casas de banho, arrecadação e garagem, podendo estar localizado em zonas periféricas das cidades, mas servidas de transportes e supermercados nas proximidades - e o preço que estão dispostos a pagar ronda 138,6 mil euros, numa compra financiada por crédito à habitação que fique abaixo dos 500 euros mensais.

No que toca ao financiamento da casa, a rede imobiliária avança que 35,3% dos portugueses têm de recorrer integralmente ao empréstimo bancário. A taxa de esforço da hipoteca representa, para um terço das famílias, 20% a 30% dos seus vencimentos (e para 11% excede mesmo os 30%).

"Há uma procura real, que não é especulativa, mas a evolução dos preços nos centros das cidades está a pôr fora do mercado os portugueses, que não os conseguem acompanhar", adverte o responsável da Century 21, sustentando que "os principais atores do sector imobiliário têm de criar soluções em linha com as expectativas e a capacidade financeira das famílias portuguesas".

Relativamente à nova construção de habitação que está em 'pipeline' e que já se perfila mais adequada às necessidades dos portugueses, Ricardo Sousa ressalva que esta vai demorar algum tempo a chegar ao mercado, pelo que, "olhando os próximos dois anos, e por não haver oferta suficiente para o poder de compra dos portugueses, o número de transações vai abrandar".

Para o CEO da Century 21, "2018 foi um ano marcado por alguns excessos", pelo que aconselha os proprietários a terem "bom senso e a serem flexíveis nos preços que pedem para venda das casas, pois muitos vão para o mercado com expectativas altas e uma ideia de valor que não é realista".

A atividade da Century 21 em 2018 evidenciou "uma forte quebra, de 62%" nas operações de arrendamento - e também aqui devido "à evidente falta de oferta de imóveis ajustada ao poder de compra dos portugueses". A nível nacional, o valor médio do arrendamento na rede imobiliária atingiu 812 euros mensais, numa "forte subida de 37,5%" face aos valores do ano anterior. Segundo a Century 21, "este indicador revela que foram os consumidores do segmento médio e médio alto que conseguiram aceder às soluções de arrendamento que estão em oferta no mercado".