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Portalegre e o Interior? “Tem que ser a sociedade a mexer-se”

Tiago Cabaço, Fernando Carpinteiro Albino, Maria Flor Pedroso (moderadora), João Paulo Crespo, José Maria Amorim Falcão e Francisco Cary num dos debates que marcaram o XV Encontro Fora da Caixa

NUNO FOX

Entre a proximidade com Espanha e a distância face a Lisboa, Portalegre procura a melhor forma de fazer frente aos novos desafios da economia global e aproveitar melhor as potencialidades da região

Na velha discussão que coloca o litoral e o interior de Portugal em comparação, há um ponto que deixa sempre António Nogueira Leite intrigado: “O Interior às vezes começa a 30 km da costa, o que é uma coisa estranhíssima.” Para o economista é um aspeto sintomático da visão, por vezes redutora, que ainda domina as conversas sobre o tema e que falha em ter em conta as diferenças que existem entre as cidades e a sua proximidade face a centros regionais importantes em Espanha. Algo que Portalegre quer aproveitar para se impor cada vez mais no panorama nacional.

A cidade do Alto Alentejo foi o palco do XV Encontro Fora da Caixa, o projeto da CGD que tem percorrido o país, com o apoio do Expresso, para uma série de conferências. Desta feita os problemas e oportunidades deste canto do Interior estiveram em destaque, sobretudo pelo que ainda separa Portalegre doutros casos de sucesso em Portugal. “O sinal mais negativo está na perda de população”, explicou o economista Daniel Bessa, para quem é necessário perceber quais os melhores canais para cimentar relações com Espanha.

O país vizinho é visto como um parceiro fundamental para a região e o seu distrito, como contraponto à distância que separa Portalegre de Lisboa e a “falta de políticas públicas eficientes”, segundo José Félix Ribeiro. O economista defende mesmo que os empresários e grandes nomes da região não podem esperar por apoios e devem unir-se para fazer o seu próprio caminho. “Tem que ser a sociedade a mexer-se”, atirou.

Empresários como um dos nomes mais icónicos da região, o fundador da Delta, Rui Nabeiro. O comendador, ou Rui (“como me chamam em casa”) foi um dos grandes convidados da tarde e manifestou confiança na economia da zona a partir da qual criou um império presente em todo o mundo. Para João Paulo Crespo, sócio do Grupo Fertiprado, tem sido um prazer ver que o país “se pode impor”, enquanto José Maria Amorim Falcão, administrador da Cersul, garantiu que o grande interesse é “produzir bem”, mais do que produzir em quantidade.

Será a chave para a diferenciação no comércio global, que surge naturalmente como ambição dos produtores de Portalegre e é vista como o caminho ideal para dar mais centralidade à região. Nas palavras de Tiago Cabaço, CEO da Tiago Cabaço Wines, "o nosso caminho passa por criar valor acrescentado."