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Maranho da Sertã e Sopa da Pedra de Almeirim classificados como produtos protegidos da UE

20 junho 2022 12:06

câmara de almeirim

O Maranho da Sertã entra para a lista de Indicação Geográfica Protegida e a Sopa da Pedra de Almeirim recebe o estatuto de Especialidade Tradicional Garantida

20 junho 2022 12:06

O Maranho da Sertã e a Sopa da Pedra de Almeirim foram classificados, esta segunda-feira, pela Comissão Europeia como produtos protegidos pelos regimes de qualidade da UE.

O Maranho da Sertã fica registado como Indicação Geográfica Protegida e, de acordo com um comunicado da Comissão Europeia, “realça a relação entre a região geográfica delimitada e o nome do produto”. A iguaria tradicional junta-se agora a uma lista da UE onde constam mais de 190 produtos portugueses.

A distinção inclui também critérios de qualidade e produção que devem ser meticulosamente respeitados. “As atividades de produção e preparação do Maranho da Sertã devem por isso ser obrigatoriamente realizadas no interior da respetiva área geográfica que, doravante, fica circunscrita ao concelho da Sertã”, estipula a Comissão Europeia.

Os rótulos devem, a partir de agora, conter uma das seguintes menções: “Maranho da Sertã – Indicação Geográfica Protegida” ou “Maranho da Sertã – IGP”

O Maranho da Sertã – que integra os produtos à base de carne (aquecidos, salgados, fumados, etc.) – é um ensacado feito a partir da bandouga (estômago de ovinos e caprinos) e que apresenta a forma de um estômago (em saco ou em C).

A sua aparência exterior é rugosa, sendo visível a textura alveolar da bandouga e no interior, quando cortado, sua aparência é irregular, sobressaindo as cores das carnes e da hortelã por entre pedaços de arroz.

O ‘Maranho da Sertã’ apresenta um sabor onde se evidencia a hortelã e, como ingrediente predominante, a carne caprina e/ou ovina, aligeiradas pelo presunto e chouriço.

A área geográfica de produção, preparação e acondicionamento do ‘Maranho da Sertã’ está circunscrita ao concelho da Sertã, tendo o primeiro registo escrito do produto sido feito em 1858.

A Sopa da Pedra de Almeirim foi igualmente distinguida, ficando classificada pela Comissão Europeia como Especialidade Tradicional Garantida (ETG).

A Comissão Europeia refere, em comunicado, que o rótulo de Especialidade Tradicional Garantida atribuído à Sopa da Pedra de Almeirim “salienta os aspetos mais ligados às tradições, à forma como o produto é fabricado ou à sua composição, sem estar ligado a uma área específica”.

A mesma nota informativa esclarece que um produto registado como Especialidade Tradicional Garantida fica “protegido contra falsificação e uma utilização indevida”. Isto porque, no caderno de especificações submetido à Comissão Europeia, é referido que “aparecem por vezes receitas que abrangem uma vasta gama de apresentações de Sopa da Pedra de Almeirim que utilizam ingredientes que não são contemplados na receita genuína”.

O registo determina que o nome Sopa da Pedra de Almeirim “refere-se a um produto específico, elaborado com determinados ingredientes (e apenas esses), em conformidade com o caderno de especificações do produto e que cumpre determinado método de obtenção”.

O produto resulta, segundo a publicação, de “um modo de produção, transformação ou composição que corresponde a uma prática tradicional para esse produto ou género alimentício”, confecionado em Almeirim, Santarém.

A origem do nome da sopa deve-se, oficialmente, “às suas características físicas, uma vez que se trata de um caldo grosso, castanho-avermelhado e com muitos ingredientes, alguém o comparou às pedras que formam o piso de muitas estradas que, ainda hoje, existem na zona histórica de Almeirim”.

No entanto, a sopa da pedra está também ligada à lenda de um monge que mendigou ingredientes para acrescentar a uma pedra com a qual dizia pretender fazer sopa.

Os ingredientes da ‘Sopa da Pedra de Almeirim’ são feijão catarino, batata, chispe e/ou faceira de porco, toucinho, chouriço, morcela e farinheira, cebola, alho, louro, azeite e/ou banha e coentros. O prato começou a ser servido ao público em 1960 no restaurante O Toucinho.

A política de qualidade da UE visa proteger os nomes de produtos específicos, “de modo a promover as suas características únicas associadas à sua origem geográfica e a modos de produção tradicionais”, explica a Comissão Europeia.

Estes estatutos estabelecem também direitos de propriedade intelectual para as iguarias listadas.