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Sexta-feira de luxo na música portuguesa e não só: conheça aqui os principais lançamentos

Élida Almeida (esquerda), The Arcs e Leonor Baldaque (ao centro), Luísa Sobral (direita)
Élida Almeida (esquerda), The Arcs e Leonor Baldaque (ao centro), Luísa Sobral (direita)
Miguel Oliveira (LB)

Homenagens à força das mulheres, vindas de Portugal e Cabo Verde, a “outra” banda de Dan Auerbach, dos Black Keys, ou a estreia na música de uma atriz e escritora: eis as novidades desta sexta-feira

Esta é mais uma sexta-feira rica em música nova. A nível internacional, destaca-se o quarto álbum de Sam Smith. “Gloria” foi apresentado por singles como ‘Love Me More’ e ‘Unholy’ e contém letras sobre “sexo, mentiras, paixão e imperfeição”.

Também os norte-americanos The Arcs, “a outra banda” de Dan Auerbach, dos Black Keys, estão de volta com “Electrohponic Chronic”, o seu segundo álbum. O sucessor de “Yours, Dreamily”, de 2015, foi antecipado pelo viciante ‘Keep on Dreamin’' e por ‘Heaven Is a Place’, cujo vídeo presta homenagem a Richard Swift, que integrava a banda e morreu em 2018, tendo ainda participado nas gravações deste disco.

De Cabo Verde chega “Di Lonji”, quarto álbum da cantora-compositora Élida Almeida. Inspirado pelo trajeto que tem vindo a traçar, desde as origens humildes numa zona montanhosa da ilha de Santiago, “Di Lonji” presta homenagem à avó da artista, em ‘Dondona’, e aborda outros temas que marcam a sociedade cabo-verdiana, como o abuso sexual de menores (na canção ‘Mexem’), numa paisagem sonora marcada por géneros como o batuque, o tabanka e o kola samba, passando pela eletrónica. Élida Almeida apresenta “Di Lonj” ao vivo no Capitólio, em Lisboa, a 25 de março. ‘Bedjera’ é o single mais recente:

Em Portugal, destaque para o regresso de Slow J, com o single 'Where U @'. Após ausência prolongada, o artista luso-angolano contou, neste tema, com produção de GOIAS e Holly, numa mistura que “procura desafiar e desconstruir a identidade portuguesa dos dias de hoje, em todo o seu esplendor multicultural”.

Também no rap, Plutónio acaba de lançar o single ‘Alcatraz’, no qual usa o nome da conhecida cadeira de alta segurança como metáfora para a prisão de uma relação sem liberdade. O tema foi produzido por DJ Dadda e conta com a colaboração de Cafeína.

‘Serei Sempre uma Mulher’ é o título do segundo single de “Dansando”, o mais recente álbum de Luísa Sobral. No vídeo deste tema, a cantora-compositora portuguesa tenta retratar as injustiças e violências a que as mulheres são submetidas, sem nunca soçobrarem. Em comunicado, explica: “Sempre pensei que só houvesse um sentido no caminho para a igualdade de género e racial, em frente. Para mim seria impensável as mulheres poderem perder o direito a votar ou voltarem os transportes públicos divididos por zona de negros e zona de brancos. (…) Foi então que assistimos a um retrocesso assustador nos direitos da mulher no Afeganistão. Perderam o direito à educação, perderam a liberdade de escolher cobrir ou não a cabeça e deixaram de poder andar sozinhas na rua.”

"Foi a pensar nessas mulheres que escrevi esta canção, sem saber que uns meses mais tarde morreria Mahsa Amini, uma mulher iraniana a quem foi retirada a vida por usar o hijab de forma inadequada. Nesse dia a minha canção tornou-se sobre ela também e sobre todos aqueles que quiseram vingar a sua morte com protestos, muitos deles perdendo a vida ao fazê-lo. (…) Porque ainda acredito que o caminho seja para a frente, mesmo que às vezes se dê dois passos atrás."

O vídeo de ‘Serei Sempre uma Mulher’ tem realização de Filipe C. Monteiro.

Também hoje chega o primeiro single do novo trabalho de O Gajo, projeto de João Morais. No próximo álbum, que tem por título “Não Lugar” e edição marcada para 24 de março, o músico português explora a relação da viola campaniça com a sonoridade de instrumentos como a korá guineense, o sitar indiano, a viola braguesa, a viola ressonadora brasileira e e o electric saz turco. ‘Tarântula’ é o primeiro single.

Disponível desde o início da semana está “Mãos no Fogo”, singular projeto que une Fred Ferreira, baterista dos Orelha Negra e artista em nome próprio, e a poetisa e letrista Regina Guimarães. “Quando falámos, a Regina aceitou fazer uma experiência e convidou-me para casa dela no Porto. Fui lá com um pequeno setup de gravação que montei na sala de casa dela, onde a Regina , sentada numa cadeira, me leu alguns textos”, recorda Fred, em comunicado. "Desde a primeira leitura que a sua voz e os seus textos, ressonaram em mim com muita força e senti-me sortudo por estar a viver aquele momento tão especial.
Mal saí, fechei-me a ouvir vezes sem conta as gravações e a tentar criar as músicas para o que foi dito na sua sala", conta o músico e produtor.

"Isolei-me, andei a pé no meio da natureza e, durante um ano, tentei entender o seu mundo e o meu, tentando seguir o meu coração e intuição. (…) Foi um dos processos mais bonitos em que estive na minha vida e sinto uma enorme gratidão por ter a oportunidade de o ter feito algo com uma pessoa tão especial para mim. Viva a Regina e a vida”, conclui Fred Ferreira.

Terminamos com a estreia na música de Leonor Baldaque, atriz portuguesa e autora de dois romances publicados em França. ‘Few Dates of Love’, uma canção-poema, é a primeira amostra do álbum de estreia da artista, previsto para o último semestre do ano e cantado em inglês. O disco está a ser gravado nos estúdios Arda Recorders, no Porto, e é apresentado como uma declaração de amor à poesia e à vida.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: blitz@impresa.pt

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