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Concertos de 2022 que não queremos esquecer: Dua Lipa arrebatou Lisboa com um menear de anca e um imbatível desfile de novos clássicos pop

26 dezembro 2022 10:00

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa
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Dua Lipa na Altice Arena, Lisboa

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A 6 de junho de 2022, entre néones, bolas de espelhos, coreografias estelares e patinadores acrobatas, Dua Lipa expôs, na Altice Arena, todos os argumentos que fazem dela a maior estrela pop do momento. De ‘New Rules’ à colaboração com Elton John, foi com duas mãos-cheias de êxitos que deixou pelo beicinho um pavilhão lotado

26 dezembro 2022 10:00

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Já não se fazem estrelas pop como antigamente? Errado. Dua Lipa provou esta noite, em Lisboa, que tem fibra de quem veio para ficar num território musical habituado a mastigar e deitar fora. Em pouco mais de cinco anos, a artista britânica, de origem albanesa, passou de proposta porventura demasiado alternativa à aclamação generalizada, conseguindo a proeza de agradar quer às massas quer a quem olha para essas coisas da pop com algum cinismo. Sim, é inegável a sua beleza, mas também é indiscutível a forma brilhante como entrega a sua voz áspera e profunda aos refrães orelhudos de êxitos como ‘New Rules’, ‘One Kiss’, ‘Don’t Start Now’ ou ‘Levitating’. Em palco, o ondular do corpo acompanha os ritmos inebriantes das canções com uma subtileza que - isto para quem se preocupa com essas coisas - nunca ultrapassa o limiar da decência. O mais interessante, é que se passaram cinco anos desde que Portugal assistiu a um concerto seu pela primeira vez, no palco do MEO Sudoeste, e a evolução é admirável. Houve quem um dia, nas redes sociais, criticasse a sua forma de dançar... Pois bem, Lipa teve isso em consideração, já o assumiu, e será impossível, hoje, voltar a apontar-lhe o dedo.

Foi uma Altice Arena muito próxima de lotada que recebeu, esta segunda-feira, um espetáculo pop bem pensado, montado e executado. E sem precisar de demasiados adereços... excetuando a lagosta gigante que fez flexões em palco ao som de ‘We’re Good’, uma espécie de balada futurista que não recebeu a atenção merecida quando originalmente a escutámos no ano passado; o exército de chapéus-de-chuva utilizados para a coreografia de ‘New Rules’, segundo momento de uma matadora sequência inicial; e o grupo de bolas de espelhos transformadas em planetas que desceram do teto do pavilhão para dar um toque cósmico ao momento em que a artista sobrevoou a plateia, numa plataforma, a cantar o êxito ‘Levitating’. O imaginário disco sound, que influenciou “Future Nostalgia”, álbum que serve de mote a esta digressão, esteve sempre bem presente, quer nos apontamentos em néon do palco, quer nas coreografias, quer na música que foi unificando os diferentes atos do espetáculo.

Antes ainda de Dua Lipa subir ao palco, soltaram-se pela arena os versos de ‘Body Funk’, de Purple Disco Machine, que serviram de mantra iniciático para o que se seguiria: “I don’t know what I’ve been told/ music makes you lose control/ work your body to the beat/ body work will set you free”. Segundos depois, era com ‘Physical’, um dos momentos mais efervescentes de “Future Nostalgia”, prestando vassalagem ao tema com o mesmo nome que, no início dos anos 80, valeu a Olivia Newton-John o seu último grande êxito, que Lipa abria o concerto. Começar com estrondo nem sempre é bom, mas rapidamente se percebeu que a artista não vinha para brincar: ‘New Rules’, a canção que, em 2017, a arrancou definitivamente do (relativo) anonimato, foi recebida com um gigantesco, e bem ensaiado, coro e, logo de seguida, ‘Love Again’ manteve a fasquia bem lá no alto, com o seu instantaneamente reconhecível sample de ‘My Woman’, canção dos anos 30 também utilizada por White Town no sucesso ‘Your Woman’, de 1997. Após essa infalível sequência inicial, o ambiente mudou para abraçar os ritmos ondulantes de ‘Cool’ e ‘Pretty Please’ e a explosão controlada de ‘Break My Heart’.

Foram poucas as vezes que Lipa revisitou momentos da sua discografia mais longínqua, mas ‘Be the One’, de 2015, trouxe uma magia importante ao espetáculo. “Obrigado por me receberem tão bem numa cidade tão bonita. Estou tão feliz por estar aqui”, começou por introduzir a artista, “sendo que esta é a minha primeira vez em Lisboa, nunca toquei esta canção aqui. Se souberem a letra, cantem. Chama-se ‘Be the One’”. Talvez tivesse menosprezado, de certa forma, a plateia que tinha à sua frente, porque a letra, claro, estava na ponta da língua. E não é difícil de entender porquê: já nas primeiras canções, Lipa demonstrava que tinha ouvido para os refrães orelhudos. Depois, seria preciso esperar pelo terceiro ato para um novo regresso ao passado. No entretanto, ouviram-se ‘We’re Good’, ‘Good in Bed’ (porventura o único momento mais ‘assim-assim’ do espetáculo), ‘Fever’, incrível dueto com a belga Angèle, que surgiu num banho de pérolas no ecrã gigante, e o hino feminista ‘Boys Will Be Boys’, com a arena banhada a lanternas de telemóveis.

Abandonando o palco para trocar de indumentária, a cantora deixou os bailarinos a aquecer a plateia para o momento mais dançável da noite, servido em quatro partes. Se ‘One Kiss’, canção que gravou com Calvin Harris em 2018, nos atirou diretos para a pista de um gigantesco clube, ‘Electricity’, ‘Hallucinate’ (com interferências de ‘Technologic’ dos Daft Punk) e ‘Cold Heart’, estranho mashup de canções de Elton John que se revelou um sucesso para os dois artistas no último ano, servidas sem qualquer pausa, conseguiram a proeza de nos sugar para o recanto mais íntimo de uma discoteca. E, provando que não precisa de grandes discursos para marcar as suas posições, foi empunhando orgulhosamente uma bandeira arco-íris, durante vários minutos, enquanto Elton John se juntava a ela no ecrã gigante, que recebeu uma sentida ovação por parte de todos os que, na plateia, se identificam com a sigla LGBTQIA+.

Se o momento voador de ‘Levitating’ deixou o público completamente extasiado, o subsequente encore serviu mesmo para lhe encher as medidas. Depois da reação ensurdecedora a uma última saída de palco, Lipa regressou sozinha para servir, na extensão do palco que a levou sempre para bem perto do público, e acompanhada pela primorosa banda, uma sedutora ‘Future Nostalgia’, com sacudidelas de cabelo e sugestivos movimentos de anca. O grande final, claro, ficaria bem entregue a ‘Don’t Start Now’, tão ou mais efervescente quanto a versão de estúdio e brindada com uma inescapável chuva de confetti. “Lisboa. Muito obrigado por tornarem a minha primeira vez aqui tão memorável”, agradeceu a artista, prometendo regressar em breve. A verdade é que nem é preciso falar de uma nova relação de amor entre o público português e Dua Lipa... Ela já existe há vários anos. O que interessa sublinhar é que este concerto em Lisboa, tal como o que a artista deu em Braga, integra uma etapa incontornável de um percurso que, apostamos nós, será longo e bastante rico.