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Morreu Gal Costa, nome grande da música brasileira

9 novembro 2022 14:22

Gal Costa morreu esta quarta-feira, 9 de novembro, aos 77 anos

9 novembro 2022 14:22

Gal Costa, nome grande da música brasileira, morreu esta quarta-feira, aos 77 anos.

De acordo com a “Globo” e a “Folha de São Paulo”, a notícia foi confirmada pela assessoria de imprensa da cantora. A causa da morte de Gal Costa ainda não foi revelada.

Há três semanas, Gal Costa cancelara os concertos previstos para Portugal por motivos de saúde. No passado fim de semana, também a apresentação na edição brasileira do festival Primavera Sound, em São Paulo, ficou sem efeito.

Segundo a “Folha de São Paulo”, em setembro Gal Costa tinha sido operada para remoção de um nódulo na fossa nasal, mas já tinha concertos marcados para os próximos meses de dezembro e janeiro.

Nascida em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa foi um dos grandes nomes da MPB.

De verdadeiro nome Maria da Graça Costa Penna Burgos, Gal Costa teve como momentos formativos o dia em que ouviu pela primeira vez João Gilberto a cantar ‘Chega de Saudade’ na rádio, em 1959, e a ocasião em que conheceu Caetano Veloso, em 1963. Gal e Caetano tornar-se-iam, a partir daí, amigos e colaboradores.

Trabalhou também com Gilberto Gil, Maria Bethânia e Tom Zé, num espetáculo em 1964, antes de participar no I Festival Internacional da Canção, em 1966. O primeiro álbum, “Domingo”, chegou no ano seguinte, “a meias” com Caetano Veloso, trazendo a canção ‘Coração Vagabundo’.

Em 1968 partilhou no disco “Tropicália”, registo fundador do movimento tropicalista, e na década de 70 visitou Caetano Veloso e Gilberto Gil, exilados em Londres, de lá trazendo canções como ‘London London’ para o álbum “Legal” ('London London' ganharia, muitos anos mais tarde, uma versão nas vozes de Cibelle e Devendra Banhart).

Outros momentos marcantes da carreira de Gal Costa foram o álbum “Índia”, de 1973; o tema de abertura da novela “Gabriela”, em 1975, ou sucessos como ‘Tigresa’ ou ‘Negro Amor’, de 1977. Na década de 80, gravou o álbum “Aquarela do Brasil”, dedicado à obra de Ary Barroso, e participou em numerosos espetáculos. A sua atividade editorial permaneceu regular e, em 2001, lançou o álbum “Recanto”, produzido pelo amigo Caetano Veloso e um dos seus filhos, Moreno. Com arranjos eletrónicos, o disco foi muito elogiado.

Em 2021, saiu “Nenhuma Dor”, um disco comemorativo da carreira de Gal Costa, com duetos com músicos mais jovens como Rodrigo Amarante, Seu Jorge, Zeca Veloso ou Tim Bernardes. No concerto que deu no Coliseu de Lisboa há poucas semanas, este último cantou ‘Realmente Lindo’, canção que escreveu para a cantora.

Gal Costa deixa um filho, Gabriel Costa, de 17 anos, que adotou quando o menino tinha dois anos e vivia num abrigo no Rio de Janeiro, sofrendo de raquitismo. Numa entrevista à “Globo”, em 2021, recordou que, perante a sua dificuldade em engravidar, a mãe lhe dizia para adotar uma criança. “Eu achava que filho tinha que ser parido. Hoje, sei que filho é amor”, disse então.