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“Isto não se faz pelo planeta, faz-se por nós e pelos nossos filhos.” Grande entrevista a Nuno Bettencourt

15 julho 2022 15:22

rui soares/4see

O terceirense que foi guitarrista dos Extreme e autor do sucesso ‘More Than Words’ regressa aos Açores para organizar um concerto nas Sete Cidades. Uma entrevista sobre como salvar o planeta, memórias do rock and roll e a inescapável alma lusa. “Sempre que vou aos Açores, tenho a sensação de que vou para casa e nunca mais de lá quero sair”

15 julho 2022 15:22

oram anos a magicar a ideia para organizar o Concert for Earth, que acontece nos próximos dias 22 e 23 na Lagoa das Sete Cidades, em São Miguel, Açores. Ao Expresso, a partir da sua casa em Hollywood, Nuno Bettencourt conta como nasceu a ideia, os obstáculos que foi encontrando, mas também o que o move, o egoísmo de saber que vai precisar de ar puro para continuar a respirar. E a mudança? Essa, diz, não dependerá de políticos ou de doações de famosos. “Vimos o poder das pessoas durante a pandemia. Alguém imaginava que se conseguisse parar o mundo todo durante dois anos? Foram as pessoas que o fizeram e mostraram que, quando nos queremos proteger, conseguimos”, diz-nos o homem que ganhou fama como guitarrista dos Extreme — é o autor da famosa ‘More Than Words’, a canção que hoje vê como uma bênção —, mas também tocando com Rihanna e Black Eyed Peas (banda que, a par de nomes como Stone Temple Pilots, Pitbull e Bush, está no cartaz do evento).

Quando nasceu a ideia de organizar um festival nos Açores?
Há uns 17 anos. Sete Cidades é um dos sítios mais bonitos do planeta, passei por lá com um amigo e, na aldeia, perguntei-lhe como seria fazer um Woodstock naquela cratera? Comecei por só pensar naquele anfiteatro natural, mas depois apercebi-me de que não precisamos de mais um festival. Artistas, atores ou músicos envolvem-se muito em eventos de beneficência, normalmente quando ficam mais velhos ou quando acontece algo que os desperte para uma causa. Neste caso estive sempre atento à simplicidade dos argumentos sobre a crise climática e fascinado com a forma como os humanos a complicam. No limite, é senso comum: isto não é caridade; é o nosso ar, a nossa água e a nossa terra. Acontece há 30 ou 40 anos, mas não é palpável, e as pessoas não atuam até que algo aconteça — somos reativos. Deus me perdoe, mas até nas Torres Gémeas... Os EUA andaram anos a ser avisados pelos israelitas para aumentarem a segurança e a resposta era que [um incidente] não aconteceria. Depois de ter acontecido, a segurança estava ativa. Depois de algo acontecer já estamos em sarilhos.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.