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A$AP Rocky (doente) no Super Bock Super Rock. Sutiãs, ‘mosh pits’ e um concerto “poucochinho”

Na segunda atuação em Portugal este mês, A$AP Rocky brilhou pouco. Confessando-se doente, o rapper norte-americano esforçou-se por puxar pelo público, mas ofereceu um espetáculo pálido e de entusiasmo moderado

Para os admiradores acérrimos de um artista ele pode fazer tudo aquilo que quiser em palco (ou não fazer nada) que o apoio continuará lá. De uma certa perspetiva, isso até é bonito. E também foi bonito ver a honestidade com que A$AP Rocky admitiu estar doente, esta noite, no Super Bock Super Rock, mas isso não será suficiente para nos fazer esquecer um concerto pouco inspirado, com “fogo” limitado e muito pouco ritmo. Entrando 15 minutos atrasado, depois de largos minutos em que vimos ser insuflado em palco um gigantesco “crash test dummy” – boneco utilizado em simulações de acidentes automóveis -, o rapper nova-iorquino fez-se anunciar por uma voz que ditou as regras: “mosh”, diversão e segurança. Irrompeu em palco com uma peruca, de saia, e automaticamente começou a distribuir t-shirts pela plateia.

Foi do mais recente álbum, “Testing”, de 2018, que saíram alguns dos primeiros temas, com ‘A$AP Forever’ a ser recebido em euforia e ‘Praise the Lord (Da Shine)’ a atrair a plateia para a sua religião musical. “Como se sentem todos esta noite? Estava a sentir-me em baixo hoje, mas estou feliz por ter conseguido. Peço desculpa, porque estou doente como tudo”, assume Rocky, antes de arrancar a peruca e de ser brindado com um sutiã. O que se seguiu foram muitas pausas desnecessárias, vários (e alongados) incentivos ao “mosh”, sem conseguir injetar energia suficiente para manter o pit em atividade, e versões demasiado instantâneas de canções como ‘Doja’, gravada em parceria com $not, ou ‘Love$ick’, com Mura Masa.

Esforçando-nos por destacar algum momento pela positiva, talvez possamos dizer que uma intensa ‘LSD’ roubou o protagonismo, principalmente porque o músico se dedicou a ela com o fervor possível e não sucumbiu à tendência de despachá-la em 30 segundos. Ouvimo-lo ainda servir ‘Sundress’ depois de puxar um fã para o palco, embrenhar-se nas batidas profundas de ‘Everyday’ e despachar num piscar de olhos um medley final que juntou ‘Pick it Up’ (colaboração com Famous Dex), ‘Plain Jane’ (versão de A$AP Ferg) e ‘Yamborghini High’ (do seu coletivo A$AP Mob). “Posso fazer mais uma canção? Acho que ainda temos tempo. Portugal, querem mais uma canção?”, questionou antes do grito final. Não deixa de ser irónico não se ter ouvido ‘Fuckin’ Problems’, tema que, em 2012, o arrancou do anonimato e permanece até hoje o seu maior sucesso, numa atuação com diversos problemas.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: MRVieira@blitz.impresa.pt

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