Blitz

The War on Drugs no NOS Alive: quando o sol se vai embora, há um orgasmo no horizonte

6 julho 2022 22:30

Luís Guerra

Luís Guerra

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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The War on Drugs no NOS Alive 2022
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Começou algo desolador, num início de noite que convidou ao jantar. Porém, à medida que a luz solar foi desaparecendo no Passeio Marítimo de Algés, as guitarradas noturnas (e o rock americano à anos 80) de Adam Granduciel foram ganhando asas rumo a um final empolgante. O público soube recompensá-lo

6 julho 2022 22:30

Luís Guerra

Luís Guerra

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Acabou grandioso o que começou frouxo. A responsabilidade do início frio não foi, sublinhe-se, da mui competente formação comandada por Adam Granduciel, 43 anos vividos, longos cabelos ao vento amparados por uns óculos de sol impassíveis. Foi da hora: ocupando uma posição no cartaz habitualmente coincidente com o período em que a maior parte dos festivaleiros decide alimentar-se, ganhando forças para uma noite que se adivinha longa, o concerto da banda rock de Filadélfia sofreu uma cera erosão de público.

Precisamente por isso, enquanto durou a réstia de luz do dia, o panorama era algo desolador, com muita gente sentada, investindo noutro tipo de passatempos. Os War On Drugs sabem, contudo, que os concertos - como as partidas de futebol - se ganham no fim, vertendo sem preocupações o seu rock muito oitentista e 'heartland' (Springsteen como influência mais vívida) assente em guitarrada (solos, solos) e teclados (3) panorâmicos, saxofone frequente, algo 'middle of the road', algo fora de moda.

A coisa não melhora com 'Strangest Thing', anunciada como um slow por Granduciel, contribuindo para a instalação de uma certa modorra. Mas depois, paradoxalmente, fez-se 'luz' quando o sol se foi: a maior penumbra valorizou a excelente 'Harmonia's Dream', assente num arranjo celestial inspirado nos germânicos Harmonia, vultos do kraut rock, instinto melódico apuradíssimo, canção longuíssima cristalizada às 2 da manhã num estúdio caseiro em Brooklyn, Nova Iorque. E como um solo em êxtase corre sempre melhor no escurinho de um concerto... "I can't escape this memory/ It's like a dream, it's got me up all night again/ And you're all that I can see/ But I been here before, I've crossed so many roads/ Never needed more than I could hold". E como um lugar comum encaixa sempre bem se for numa grande canção...

Já perto do final, sempre em crescendo, será impossível contornar 'Under the Pressure', de "Lost in a Dream" (2014), canção cintilante, canção em permanente andamento, canção que é curta- metragem e que nos conduz a uma catarse final - público aí realmente vivo, aplaudindo o velho rock americano. É como acaba.