Coronavírus

China diz que não existem vestígios da variante delta de covid-19 no país

5 janeiro 2023 9:42

reuters

Desde o início de dezembro, circulam na China nove linhagens da variante Ómicron, responsáveis por 80% das infeções, mas sem haver vestígios da variante Delta, adiantou o diretor do Centro de Controlo de Doenças do país

5 janeiro 2023 9:42

O diretor do Centro de Controlo de Doenças da China, Xu Wenbo, assegurou que dados epidemiológicos em tempo real não mostram vestígios da variante Delta da covid-19 no país asiático.

Citado pela televisão estatal CCTV, Xu disse que as linhagens BA.5.2 e BF.7 da variante Ómicron são dominantes na China e respondem por mais de 80% dos casos no país asiático.

"Desde o início de dezembro que circulam na China nove linhagens da variante Ómicron, que representam a grande maioria dos novos casos", disse o especialista.

Xu Wenbo recusou também que exista uma linhagem que tenha surgido da combinação entre as variantes Delta e Ómicron.

No entanto, observou que um total de 31 linhagens da Ómicron estão atualmente a circular na China, incluindo as variantes BQ.1 e XBB.

Estes números estão em linha com os dados apresentados, na quarta-feira, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que finalmente conseguiu divulgar informações sobre os casos de covid-19 no país asiático, depois de ter recebido informação relevante por parte das autoridades chinesas.

"Nenhuma nova variante ou mutação significativa foi identificada nos dados de sequenciamento disponíveis ao público", disse a OMS, em comunicado, após uma reunião sobre a evolução do coronavírus entre o seu grupo de especialistas e representantes do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China (CDC).

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning garantiu na quarta-feira que "partilhou dados e informações" sobre os casos de covid-19 registados no país asiático "de forma responsável", e voltou a pedir à comunidade internacional que evite "politizar a pandemia".

No início do mês passado, a China aboliu a estratégia de 'zero casos' de covid-19, que vigorou no país ao longo de quase três anos, resultando numa rápida propagação do vírus, face à ausência de imunidade natural na população.

À medida que a China abdicou da realização de testes em massa, os dados oficiais passaram a estar desfasados da realidade no terreno. As imagens de crematórios e serviços de urgências a abarrotar sugerem, no entanto, que o país atravessa uma grave crise de saúde pública.

Especialistas chineses estimaram que a China tem atualmente cerca de cinco milhões de pacientes em estado grave. A empresa britânica Airfinity, que analisa dados do setor da saúde, apontou que a China está atualmente a sofrer cerca de 9.000 mortes por dia causadas pela doença.

O país asiático anunciou no final de dezembro que vai reabrir as suas fronteiras a 08 de janeiro, pela primeira vez desde março de 2020. Vários países decidiram nos últimos dias exigir que os viajantes oriundos da China passem a apresentar um teste negativo para a covid-19 antes de rumarem aos seus territórios.

Pequim descreveu as restrições que vários países impuseram aos viajantes provenientes da China como "desproporcionais".