Coronavírus

Covid-19. Itália pondera teste obrigatório para quem vem da China e Lombardia antecipou-se

28 dezembro 2022 17:37

Instalações médicas contra a pandemia na cidade de Hohhot, na região chinesa da Mongólia Interior

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Ministro da Saúde italiano, Orazio Schillaci, "está a avaliar a possibilidade de tornar os testes obrigatórios para todos os viajantes que cheguem da China", revelou o ministério em comunicado

28 dezembro 2022 17:37

A Itália está a ponderar tornar obrigatório o teste à covid-19 para os viajantes oriundos da China, que enfrenta uma forte vaga de casos, anunciou esta quarta-feira o Ministério da Saúde, enquanto a região da Lombardia já introduziu esta medida.

O ministro da Saúde italiano, Orazio Schillaci, "está a avaliar a possibilidade de tornar os testes obrigatórios para todos os viajantes que cheguem da China", revelou o ministério em comunicado.

O ministro também está "em contacto (...) com as autoridades competentes de outros Estados-membros da União Europeia (UE) para definir estratégias comuns".

"A vigilância e prevenção, através da sequenciação, são fundamentais para identificar atempadamente possíveis novas variantes que possam suscitar preocupações e que nesta fase não estão a circular em Itália", referiu o ministério, na mesma nota informativa.

A região da Lombardia, onde se situa o aeroporto internacional de Malpensa, em Milão, já decidiu "submeter a teste molecular (...) todos os viajantes e tripulantes provenientes da China", anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano no seu 'site' dedicado aos viajantes.

Em Itália, a saúde é uma área de competência das autoridades regionais, e cada uma delas pode portanto tomar medidas diferentes.

Em 2020, a Lombardia foi a primeira região da Europa a entrar em confinamento para conter a pandemia do novo coronavírus responsável pela covid-19 e vive ainda com o trauma pelo choque da primeira vaga de casos, altamente mortal.

"Esta disposição entra em vigor imediatamente e até 30 de janeiro de 2023, salvo reavaliação da situação epidemiológica", lê-se no aviso publicado no 'site' do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

França também anunciou hoje que está "pronta" para "estudar todas as medidas úteis" e que está a "acompanhar com muito cuidado a evolução da situação na China", face a uma explosão de casos de covid-19.

"O Ministério da Saúde e Prevenção está a acompanhar de perto os desenvolvimentos na China" e "pronto para estudar todas as medidas úteis que possam ser implementadas, em conjunto com os parceiros europeus, e dentro do quadro legal que existe hoje", segundo uma resposta dada à agência France-Presse (AFP).

França deixou de exigir qualquer formalidade adicional relacionadas com a covid-19 para entrar no país, mas o texto que levantou as restrições prevê que o Governo pode impor, até 31 de janeiro, a apresentação de um teste negativo aos maiores de 12 anos "em caso de aparecer e circular uma nova variante suscetível de constituir uma grave ameaça para a saúde".

O Japão também anunciou hoje que vai restabelecer os testes obrigatórios para viajantes oriundos da China continental a partir desta sexta-feira.

A ilha de Taiwan, que a China afirma como parte do seu território, também anunciou que vai realizar controlos em viajantes que cheguem do território continental chinês.

O fim abrupto da política chinesa de "zero covid" está a suscitar preocupações em vários países, incluindo os Estados Unidos, que estão a considerar restrições de entrada aos viajantes chineses, uma vez que a China enfrenta atualmente a maior vaga de infeções do mundo, amplificada pelo aparecimento de novas variantes.

As autoridades chinesas puseram termo à maioria das medidas contra a covid-19 sem aviso prévio em 7 de dezembro, no meio de crescente exasperação pública e de enorme impacto na economia após três anos de restrições.

A falta de transparência em relação ao número de contágios, que as autoridades deixaram de publicar diariamente e dizem ser difícil de contabilizar já que os testes deixaram de ser obrigatórios, causa também apreensão.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já se manifestou, na semana passada, "seriamente preocupada" com a vaga de novos casos de covid-19 na China, e pediu a Pequim maior transparência para poder enfrentar futuras pandemias.

A covid-19 é uma doença respiratória infecciosa causada pelo SARS-CoV-2, detetado em finais de 2019 na China e que se disseminou rapidamente pelo mundo.