Coronavírus

Carta aberta assinada por médicos, psicólogos, pediatras, epidemiologistas, docentes e investigadores pede reabertura das escolas em março

Carta aberta assinada por médicos, psicólogos, pediatras, epidemiologistas, docentes e investigadores pede reabertura das escolas em março

Uma centena de personalidades assina uma carta dirigida ao Governo e ao Presidente da República defendendo a urgência de começar a abrir escolas (a começar pelos mais novos) mas com condições de segurança reforçadas - e especificam quais. Está aberta a discussão

Um mês após novo fecho das escolas e numa altura em que os números da epidemia estão a ceder, um grupo de uma centena de “cidadãos e cidadãs”, ligados às áreas da saúde, da ciência, do ensino superior e da educação, pedem ao Governo e ao Presidente da República que determinem rapidamente a reabertura dos estabelecimentos de ensino, “com segurança e de forma contínua, começando pelos mais novos”. Porque a escola é um “bem essencial” e é possível “conciliar os direitos à saúde e à educação”, argumentam. A lista completa de signatários pode ser consultada AQUI.

O Governo já assumiu que o desconfinamento vai sempre iniciar-se pelas escolas e também defende que, ao contrário do que determinou no passado ano letivo, o regresso ao ensino presencial vai fazer-se primeiro pelos mais novos, que são menos autónomos e para quem a falta de contacto direto com os professores é mais prejudicial. Só que não apontou ainda quaisquer datas – “é prematuro falar para esta próxima quinzena de desconfinamento, nomeadamente em matéria de escolas”, declarou a ministra de Estado e da Presidência no passado fim de semana.

Os subscritores da carta acreditam, no entanto, que é possível e desejável que creches e jardins de infância reabram já no início de março, seguindo-se de forma gradual e também no início do próximo mês os restantes níveis de ensino, a começar pelo 1º e 2º ciclos do básico (1º ao 6º ano).

Na lista de personalidades que assinam a carta estão por exemplo a presidente da Sociedade Portuguesa de Epidemiologia, Elisabete Ramos, a infecciologista do Hospital de São João Margarida Tavares, o pediatra Paulo Oom, a diretora do Instituto de Medicina Molecular, Maria Manuel Mota, professores de Economia como Susana Peralta e Luís Aguiar Conraria, o jornalista Daniel Oliveira, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascensão, ou Filinto Lima, diretor e presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas

Na missiva defende-se igualmente que todas as crianças e jovens beneficiárias da ação social escolar, as sinalizadas pelas comissões de proteção de crianças e jovens e aquelas para as quais a escola considere ineficaz o ensino à distância, possam regressar também ao ensino presencial, tal como previsto nas orientações do Ministério da Educação para este ano letivo.

As poucas que têm ido (apenas 3300 que as escolas consideraram não ter condições para estudar em casa e mais 2300 que necessitam de terapias, segundo os últimos dados da tutela) muitas vezes limitam-se a ter “meras aulas à distância na escola”, lembram os subscritores.

Fecho penaliza mais quem tem menos condições

É também a pensar na falta de condições de milhares de famílias e crianças para um estudo em casa eficaz e na penalização que o ensino à distância exerce sobre os que já são mais desfavorecidos que se justifica a urgência de voltar às aulas presenciais. Ainda mais quando no ano letivo passado os alunos do ensino básico foram para casa a 16 de março e não voltaram mais às salas de aula, num dos mais longos confinamentos registados na União Europeia.

“Estudos em vários países, e a experiência clínica de alguns dos signatários desta carta, mostraram o aumento de problemas psicológicos e psiquiátricos das crianças e jovens associados ao confinamento e ao fecho das escolas (depressão, ansiedade, perturbação alimentar, autolesões etc.)”, avisam.

Na argumentação apresentada reconhece-se que o encerramento de escolas torna mais fácil a redução dos contactos e controlo da epidemia. Mas que “não é indispensável” para tal acontecer. Basta ver a experiência do 1º período letivo, em que as medidas nas escolas e um “rígido protocolo sanitário” impediram “numerosos casos e clusters” - só houve 800 turmas que tiveram de fechar em todo o país neste período, lembram.

Mais condições de segurança

Mas para que a situação epidemiológica não se volte a agravar como no final do ano passado e início de 2021, os subscritores da carta aberta propõem a aplicação de várias medidas a acrescentar às regras já existentes para circulação e permanência na escola.

Por exemplo que a máscara se torne obrigatória a partir dos 6 anos (atualmente é só a partir dos 10) e que se proíba as concentrações fora da escola. Devem ser feitos rastreios periódicos na comunidade escolar para detetar infeções assintomáticas ou pré-sintomáticas e permitir que os professores de risco fiquem em casa a dar aulas ou sejam substituídos. Recomenda-se ainda o reforço dos transportes públicos e desfasar ainda mais os horários de entrada e a saída. E defende-se a inclusão de professores e funcionários na fase 1 do plano de vacinação, devendo ser vacinados uma vez concluída a proteção do pessoal de saúde, idosos e grupos de risco.

Os signatários da carta acreditam que todas estas medidas “estão ao alcance do Governo e que o seu custo é infinitamente menor que o retorno no curto, médio e, principalmente, no longo prazo”.

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: ILeiria@expresso.impresa.pt

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