Coronavírus

Ursula von der Leyen: “Temos de assegurar que, apesar de futuras variantes do vírus, estaremos seguros no próximo inverno e por diante”

10 fevereiro 2021 12:14

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

yves herman/reuters

Na intervenção feita esta quarta-feira no Parlamento Europeu, a presidente da Comissão Europeia fez mea culpa quanto aos atrasos na vacinação. “Subestimámos as dificuldades relacionadas com a produção de massa”

10 fevereiro 2021 12:14

Susana Frexes

Susana Frexes

correspondente em Bruxelas

Ursula von der Leyen assumiu esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, que também Bruxelas tem de tirar lições quanto aos atrasos no calendário da vacinação contra a covid-19 na União Europeia. “Fomos demasiado otimistas quanto à produção. E confiantes de que nos entregariam o que pedimos. Temos de tirar daí ilações”, admitiu a presidente da Comissão Europeia. Dito isto, sublinhou que há que “assegurar que, apesar de futuras variantes, estaremos seguros no próximo inverno e por diante”.

“Estávamos todos muito concentrados no desenvolvimento de vacinas. Mas globalmente subestimámos as dificuldades relacionadas com a produção de massa”, disse ainda.

Ana Paula Zacarias, que discursou igualmente esta quarta-feira perante o Parlamento Europeu, apontou ainda o dedo às farmacêuticas, lembrando que também as empresas “terão sobrestimado as suas capacidades de produção”. É necessário “assegurar que as empresas respeitam os contratos assinados e cumprem com os seus compromissos”. “Os países precisam de saber que quantidades vão estar disponíveis - e quando - para planear as suas campanhas de vacinação e precisamos destes dados para poder trabalhar. Isso é crucial”, sublinhou a secretária de Estado portuguesa dos Assuntos Europeus.

Reconhecendo as dificuldades inerentes à produção em massa de vacinas, também a presidente da Comissão Europeia lembrou que a Europa “investiu milhares de milhões de euros” antecipadamente. Von der Leyen voltou a fazer a defesa da compra conjunta das vacinas: “foi a decisão correta", disse, e "em termos económicos não teria feito sentido de outra forma; penso que teria sido o fim da nossa comunidade".

Sobre a demora, por comparação com outros mercados, na autorização da comercialização de vacinas, a presidente da Comissão Europeia voltou a lembrar que o tempo despendido foi “um investimento essencial para a confiança e a segurança”, já que “não há compromissos a fazer quando se trata de injetar substâncias biologicamente ativas em pessoas saudáveis”.

Mas assumiu que há lições a tirar: “temos de melhorar a partilha dos dados dos ensaios clínicos com a EMA (Agência Europeia de Medicamentos); vamos trabalhar num quadro regulamentar que permita à EMA analisar as vacinas tão cedo quanto possível”.

Sobre as variantes do vírus que têm surgido, Von der Leyen referiu que estas “vão continuar a emergir” e que é por isso necessário “conseguir uma rápida sequenciação e caracterização clínica das variantes e tem de haver partilha de amostras e dados entre laboratórios. Porque, para derrotarmos o vírus, teremos de saber o mais possível”.

Para aumentar a produção industrial de vacinas, recordou que foi criada uma 'task force' e que a Comissão Europeia lançou um novo mecanismo de autorização de exportação de vacinas que permitirá perceber “onde é que as vacinas produzidas na União Europeia estão a ser distribuídas”.

Já Ana Paula Zacarias pediu ainda “mais esforços na comunicação” já que os cidadãos têm o direito a informação factual, “tão clara e transparente quanto possível”. E defendeu que há que “continuar a monitorizar as campanhas de vacinação”.

Na sua intervenção, a secretária de Estado fez referência à ajuda que está a ser dada a Portugal, vinda de países como a Áustria e a Alemanha, no tratamento de doentes covid. “O meu país sabe melhor do que muitos de que a solidariedade europeia é mais do que apenas palavras. É ação. Portugal está muito grato pelas numerosas ofertas de assistência e apoios concretos de vários Estados-membros”, disse a secretária de Estado portuguesa dos Assuntos Europeus. A propósito da luta europeia contra a pandemia nas suas várias frentes, Ana Paula Zacarias concluiu a sua intervenção dizendo: “temos de nos manter juntos. Temos de nos manter unidos. É a única saída possível”.