Ciência

Apanhada em flagrante: uma estrela foi vista a devorar um planeta – eis o futuro da Terra quando for engolida pelo Sol

Apanhada em flagrante: uma estrela foi vista a devorar um planeta – eis o futuro da Terra quando for engolida pelo Sol
R. Hurt & K. Miller (Caltech/IPAC)

Uma equipa de astrónomos observou, pela primeira vez, uma gigante vermelha – fase terminal de uma estrela que o Sol vai atingir dentro de 5 mil milhões de anos – a engolir um planeta do tamanho de Júpiter

O Sol formou-se há 4,6 mil milhões de anos e ainda está na meia idade, mas, quando o hidrogénio se esgotar no seu núcleo, começará a inchar e tornar-se-á numa gigante vermelha, podendo atingir 100 vezes o seu diâmetro atual, suficiente para engolir Mercúrio, Vénus e, muito provavelmente, a Terra.

Quando o fim chegar, a humanidade não estará cá para ver – ou já terá sido extinta ou terá evoluído para uma espécie interplanetária. Porém, uma equipa de astrónomos observou uma estrela envelhecida, localizada a 12 mil anos-luz de distância, que permite antever o que acontecerá no Sistema Solar daqui a 5 mil milhões de anos.

Os investigadores foram capazes de detetar uma gigante vermelha, que outrora foi uma estrela semelhante ao Sol, a devorar um planeta do tamanho de Júpiter. Os dados observacionais estão documentados num estudo publicado esta quarta-feira na revista “Nature”.

Trata-se de um feito inédito, uma vez que a ZTF SLRN-2020 é a primeira gigante vermelha a ser apanhada em flagrante pelos cientistas enquanto absorve um planeta que estava demasiado perto, com uma órbita mais próxima do que a de Mercúrio. Esta estrela está no início da fase final da sua vida, pois a expansão terminal de uma gigante vermelha pode durar mais de 100 mil anos.

“Este tipo de acontecimento foi previsto durante décadas, mas até agora nunca tínhamos observado diretamente como este processo se desenrola”, realça Kishalay De, astrónomo e principal autor do estudo, citado pela NASA em comunicado.

À medida que a gigante vermelha se foi expandindo, a atmosfera do planeta começou a ser sugada pela forte atração gravitacional, fazendo com que aquele mundo perdesse cada vez mais massa e, consequentemente, fosse abrandando, encurtando ainda mais a sua órbita, até finalmente ser engolido pela estrela.

No momento em que devorou o planeta, a transferência de energia fez com que a estrela aumentasse temporariamente de tamanho e se tornasse centenas de vezes mais brilhante. Depois, regressou ao diâmetro e luminosidade que tinha antes de se fundir com o planeta.

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