Sociedade

Uma história de espionagem: um português lavou dezenas de milhões numa intriga que envolve corruptos venezuelanos, a DEA e a Mossad

19 dezembro 2022 18:00

Micael Pereira

Micael Pereira

Grande repórter

Crédito: Armando.info

Uma investigação do Expresso com o consórcio ICIJ revela como o português Hugo Góis teve um papel central na lavagem de dinheiro para o antigo vice-ministro da Energia Nervis Villalobos, um dos implicados no desvio de centenas de milhões de euros da empresa estatal Petróleos da Venezuela. Mas não só. Num jogo de luz e sombra, Góis canalizou também 18 milhões de euros de Villalobos para Martin Rodil, um misterioso consultor israelo-venezuelano que se tornou um herói nos EUA no combate aos criminosos do regime de Chávez

19 dezembro 2022 18:00

Micael Pereira

Micael Pereira

Grande repórter

Nos velhos filmes de polícias e ladrões do século XX, o mundo não podia ser mais maniqueísta. Os bons e os maus estavam em campos opostos e, em regra, encontravam-se para um duelo decisivo apenas no fim: os vilões eram mortos ou iam para a cadeia; os heróis ficavam com a donzela. A globalização e a indústria offshore vieram acabar com esses contos de fada. No século XXI, nos crimes de colarinho branco onde se rouba dinheiro a sério, os bons não conseguem apanhar os maus porque os maus usam testas de ferro e paraísos fiscais em sítios improváveis para esconder o que fizeram. Correção: não conseguiam apanhar. Alguns consultores especializados em navegar num mundo onde nada é a preto e branco, e onde os heróis parecem ter direito a um lado mau, vieram dar uma ajuda. Esta é uma dessas histórias.