Sociedade

Turismo a rebentar no Natal e Ano Novo, estrangeiros ajudam a encher hotéis

tiago de paula carvalho/vila galé

Hotéis de norte a sul do país, incluindo Madeira e Açores, estão a ficar cheios, não só com portugueses mas também estrangeiros que vêm passar o período festivo. O facto de os preços estarem 15% a 20% mais altos não trava a euforia

1 dezembro 2022 13:29

Finalmente sem máscaras, restriçoes de distanciamento ou limites nos grupos de pessoas - e um pouco por todo o país os hotéis já estão a ficar cheios para o Natal ou a passagem do ano, apesar dos preços estarem mais altos, devido aos efeitos da inflação e da guerra que se vive na Europa.

“Nos hotéis, espera-se uma boa quadra natalícia e de fim de ano. em linha com os resultados turísticos de 2022, que apontam para uma clara recuperação”, adianta Bernardo Trindade, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

Apesar de os preços estarem, em geral, 15% a 20% mais altos, segundo o presidente da associação, a procura por hotéis nestas datas festivas sente-se por todo o país, incluindo a Madeira e os Açores. “Para as ceias de Natal, estamos a ter uma boa resposta do mercado, ao nível de 2019, sente-se um efeito de libertação pós-pandemia, e as pessoas percebem que está tudo bastante mais caro”.

O destaque vai para “a Madeira, que está bastante bem, cidades como Lisboa e Porto também têm sinais encorajadores, e vemos o Algarve quase a interromper o habitual ciclo baixo de sazonalidade na segunda quinzena de dezembro”. A única questão para os hoteleiros é que tanto o Natal como a festa de ‘réveillon’ calham este ano em fins de semana, “não permitindo estadas mais longas”.

Mesmo com os preços mais altos, e todas as incertezas que se colocam num futuro próximo com a guerra na Ucrânia ainda sem fim à vista, muitas famílias portuguesas voltaram a optar por fazer as tradicionais ceias de Natal em hotéis, tendência que vinha a crescer antes da pandemia. “Cada vez mais as pessoas passam a festa de Natal nos hotéis, em vez de a fazerem em casa, pela comodidade de não se passar muito tempo na cozinha a preparar ceias, e também para usufruir de um espaço que permite uma experiência diferente”, refere fonte oficial do grupo Pestana. “As pessoas entendem que se ficarem em casa no Natal também vão pagar mais caro, até em compras no supermercado”.

Hotéis esgotados na Serra da Estrela, Ericeira ou Alentejo

Vários hotéis Pestana estão com ocupações a 50% para o Natal e ano novo, o que em algumas Pousadas de Portugal se eleva a 75%, com grupos que atingem 30 pessoas, e “nos próximos 10 a 15 dias ainda virão muitas reservas de última hora”.

A Vila Galé já tem hotéis esgotados para a passagem do ano, nomeadamente em Braga, Serra da Estrela, Ericeira, Évora e Lagos, tendo ainda alguma disponibilidade nos seus hotéis no Algarve, Alentejo ou Douro, com “bastantes portugueses, mas também ingleses, espanhóis ou outros europeus, além de brasileiros ou norte-americanos”.

“Por norma, os ‘réveillons’ nos hotéis ficam quase sempre cheios, e este ano assistimos a uma antecipação das reservas, pelo que os lugares disponíveis ficaram ocupados mais rapidamente”, refere Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo. “Também verificámos maior tendência para reservar a noite de 30 de dezembro, e não apenas a de 31”.

“Comparando com valores pré-pandemia, de 2019, estamos a falar de um aumento da taxa de ocupação de 4% para a última noite do ano no total da rede, e de 11% considerando as duas noites. Face ao ano passado, o aumento já é de 29%”, explicita o responsável da Vila Galé. Os hotéis do grupo preparam menus especiais de consoada, a preços de €40 por pessoa. “Cada vez mais famílias optam por se juntar em hotéis, por ser mais cómodo ao nível de alojamento ou de refeições, como mostram os mais 35% de ocupação face a 2021, e compararmos com o pré-pandemia, esse aumento é de 18%”.

O fim de ano prevê-se particularmente forte na Madeira, e os hotéis Porto Bay já estão com ocupações a 90%, sobretudo com ingleses, alemães ou escandinavos. Nos Açores, o grupo Bensaude dá conta de reservas para o Natal e ‘réveillon’ iguais ou superiores a 2019 em vários hotéis, sobretudo com nacionais, mas também turistas dos Estados Unidos da América, Canadá, França e Itália. “Por estarmos em época baixa, o peso relativo das receitas obtidas, principalmente no fim de ano, e em média rondará 15% da receita obtida nos meses de dezembro e janeiro”, avança o diretor comercial, Pedro Salazar.

Em Lisboa, o recém-inaugurado hotel Hyatt, na zona de Belém, com mais de duas centenas de quartos de luxo, já está com ocupações acima dos 60% para o Natal e a passagem do ano, também com turistas de vários pontos da Europa, dos Estados Unidos ou do Médio Oriente. “Portugal é neste momento um destino muito popular, e temos um espaço que permite fazer cenários ao ar livre ou ‘indoor’ para celebrar estas festas de forma temática”, nota o diretor do hotel, Hélder Martins.

Com uma coleção de 20 hotéis espalhados pelo país, a Amazing Evolution diz estar “surpreendida” com as ocupações para o período de festas, que em muitos casos ultrapassam 80%, destacando-se unidades mais pequenas cheias com grupos de amigos. Os preços por pessoa nas noites de consoada ou fim de ano vão de 250 a 600 euros, “e o que fazemos é acrescentar valor aos programas para mitigar o aumento de custos”, frisa a CEO, Margarida Almeida. A procura é sentida no centro do país, em zonas como Torres Vedras ou Ericeira, mas também no Alentejo, Algarve ou Madeira, destacando-se no centro de Lisboa “o mercado norte-americano, que está a crescer muito e vai ser bastante promissor em 2023”.