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Sociedade

Maus-tratos a idosa em Loulé: provedora da Santa Casa admite falha humana

Sílvia Sebastião diz que já está a tomar medidas para responsabilizar o profissional. A utente foi encontrada com parte do corpo coberto de formigas e com feridas

Uma utente do lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, em Loulé, foi encontrada com parte do corpo coberto de formigas e com feridas. O caso foi agora denunciado através de um vídeo publicado nas redes sociais, que terá sido gravado no início do verão. A instituição reconhece que se trata de um caso de negligência grave e já instaurou um inquérito para apurar responsabilidades.

O caso remonta ao mês de junho. Na altura, o lar de idosos não instaurou um inquérito interno e preferiu antes repreender verbalmente os funcionários por não terem detetado a situação atempadamente.

"Não me orgulho nada da situação que aconteceu, lamento imenso (...) temos funcionários no turno da noite, a situação foi negligenciada, eles não previram a situação, deviam ter previsto e fazer a ronda para verificar que a senhora estava naquele estado", disse Sílvia Sebastião à SIC.

O inquérito interno foi agora aberto e, em entrevista â SIC Notícias, a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime justifica que o espaço de tempo de três meses se deve ao facto da instituição só ter tido "conhecimento do vídeo e de que a situação era tão grave quando a Segurança Social esteve cá".

"E só ontem [dia 21 de setembro] é que demos conta do vídeo, até porque se nos tivessem mostrado o vídeo antes, tínhamos tomado medidas", acrescentou.

O Ministério Público já está a investigar o caso e a Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime está "de consciência tranquila".

"Provavelmente vamos ser inquiridos e estamos cá para responder ao que for necessário", garante a provedora.

A instituição, com 63 utentes, ainda não suspendeu qualquer funcionário, mas diz estar "a tratar disso neste momento". Segundo Sílvia Sebastião, todos os critérios de qualidade são garantidos e o rácio de trabalhadores da instituição é suficiente.

Trata-se de um caso pontual de negligência grave por parte de uma funcionária, até porque uma fiscalização recente não encontrou nada que obrigue à suspensão da atividade.

A família já apresentou queixa. O filho alega que fez várias queixas de maus-tratos na entidade, mas que não terá tido resposta.

A idosa, de 89 anos, acabou por falecer no final de julho, no Hospital de Faro.

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