Sociedade

Terceira vaga de calor deste verão começa sábado, setembro será "50% a 60% mais quente do que em anos anteriores"

17 agosto 2022 9:55

nuno veiga/lusa

Ministro da Administração Interna fez um apelo aos portugueses para um "esforço nacional", frisando ainda que o próximo mês será 40% a 50% mais seco do que o habitual. Temperaturas altas e seca extrema são alguns dos cenários que Portugal ter de enfrentar nos próximos tempos e que agravam o risco de mais incêndios

17 agosto 2022 9:55

"Vamos entrar numa terceira vaga de calor a partir do dia 20 [de agosto] e o mês de setembro será 50% a 60% mais quente do que em anos anteriores e 40% a 50% mais seco", adiantou esta quarta-feira José Luis Carneiro, ministro da Administração Interna. As declarações à comunicação social surgiram após uma reunião do governante e da secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, com responsáveis do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a propósito das previsões meteorológicas para os próximos dias.

"Acho que isto diz tudo sobre os riscos acrescidos [de incêndios] que vamos ter ainda de enfrentar", resumiu o ministro.

À população portuguesa, José Luis Carneiro deixou um apelo: "Podermos vencer os desafios que temos pela frente, todo o esforço da comunidade nacional é indispensável".

Referindo que, em termos de gravidade, "a onda mais crítica de calor terá sido a de julho", o ministro frisou que "o prolongamento das vagas de calor é um fator de maior exigência para o conjunto dos meios nacionais" de combate aos incêndios.

Sobre o grande incêndio na Serra da Estrela, que esta quarta-feira de manhã ficou sem frentes ativas, segundo avançou a Proteção Civil, José Luis Carneiro advertiu que é necessário o apoio de toda a comunidade para evitar reacendimentos deste fogo, face às temperaturas que irão subir já no próximo fim de semana.

"Há três razões apontadas pelos investigadores, não pela decisão política, para incêndios como este que estão a ocorrer na Serra da Estrela: a orografia, a meteorologia e a complexidade dos ventos, sento tudo isto associado a um território com caraterísticas que dificultam os meios operacionais", sublinhou.

"E meios aéreos sem o apoio dos terrestres tornam o combate mais difícil", acrescentou.

Sobre os motivos que originaram o incêndio, o ministro da Administração Interna avançou que a investigação está a ser desenvolvida pelas autoridades, a par da nova campanha contra fogo posto e os incendiários, visando "combater sem tréguas os que colocam em causa a nossa segurança coletiva".

Zonas centro e norte mantêm riscos muito elevados de incêndio

"Existem fogos que são praticamente incontroláveis e todos os meios de que podemos dispor são finitos na sua capacidade de atuação", lembrou Jorge Miguel Miranda, presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"A Serra da Estrela não é uma zona qualquer do país, é a mais montanhosa e com as escarpas mais significativas (à exceção da Madeira)", o que dificulta a operação de combate, realçou.

"Toda a zona centro e norte têm estado com riscos de incêndio muito elevados desde o início da estação, e estes riscos vão continuar muito elevados nas próximas semanas", advertiu o presidente do IPMA.

Face ao agravamento de condições metereológicas que se prevê, haverá uma "grande solidariedade e cooperação entre pessoas, autoridades, vilas e aldeias, ou vamos ter uma situação de maior complexidade do que vivemos até agora", avisou Jorge Miguel Miranda.

Sobre a dimensão do fogo na Serra da Estrela, o presidente do IPMA explicou que incêndios complexos estão a atingir a Europa, mas também "a Califórnia ou a Austrália".

"Estamos a viver um momento muito complicado da história climática da Terra", concluiu.