Sociedade

A “injustiça” salarial leva os psicólogos a abandonar o SNS: “Não há progressão de carreira”

6 agosto 2022 12:27

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

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Diferença de remunerações entre psicólogos deve-se à coexistência de dois regimes de contratação. Profissionais antecipam nova “crise” na saúde

6 agosto 2022 12:27

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Psicólogos e psicólogas com a mesma formação, funções e tempo de serviço recebem salários díspares pelo seu trabalho no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em alguns casos, esta diferença pode chegar aos 1400 euros brutos, apurou o Expresso. Tal situação gera “injustiças” e “desigualdades”, e deve-se à existência de regimes de contratação diferentes, explicaram os vários profissionais da área que foram ouvidos. A criação da carreira de técnico superior de saúde de Psicologia Clínica, em 1994, deixou um número significativo de psicólogos de fora. Posteriormente, foram abertos concursos para o ingresso na carreira, mas em número residual, restando a esses profissionais que não foram incluídos exercer funções nos hospitais como técnicos superiores do regime geral.

“Não há progressão na carreira. Profissionais que trabalham há 20 anos ganham o mesmo que os colegas que entram agora, que são cerca de 1200 euros brutos”, diz Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), adiantando que estão nessa situação 200 psicólogos, o que corresponde a um quarto dos 800 profissionais da área que trabalham em hospitais. Em média, recebem menos 400 euros do que os psicólogos que estão na carreira especial. A OPP e profissionais a título individual pedem há vários anos ao Governo que se abra um processo extraordinário de equiparação à carreira de técnico superior de saúde, mas sem resultado. O Expresso procurou saber, junto do Ministério da Saúde, se há abertura para a mudança, mas não foi obtida uma resposta até ao fecho desta edição.