Sociedade

PGR vai enviar pedido de extradição de jiadista português preso no Iraque

23 junho 2022 9:57

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

jiadista português nero saraiva

Nero Saraiva está preso no Iraque desde 2020. É suspeito de ter pertencido ao núcleo duro do autodenominado Estado Islâmico

23 junho 2022 9:57

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A Procuradoria-Geral da República está a organizar o pedido de extradição relativo ao jiadista português Nero Saraiva "o qual será apresentado, por via diplomática, uma vez instruído e traduzido", confirma ao Expresso o gabinete de comunicação de Lucília Gago. A notícia tinha sido avançada pela revista "Sábado".

Este ex-combatente do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), preso em 2019 pelas forças curdas na Síria foi transferido no início do ano seguinte para uma prisão no Iraque.

No início do ano, uma fonte judicial mostrava-se pessimista em relação a este processo. “No seguimento da entrevista que Nero Saraiva deu à agência curda de notícias, em setembro de 2019, foi perguntado informalmente à autoridade iraquiana — não há um Estado central — que informasse se o português estava sob custódia naquele país. A resposta recebida foi evasiva e os iraquianos nem sequer confirmaram que ele lá estivesse, inviabilizando à partida qualquer tentativa de extradição.”

Na entrevista dada à agência curda, Nero Saraiva, que apresentava ferimentos visíveis causados em Baghouz, na Síria, revelou ter chegado à Síria em abril de 2012 e aderido dois anos depois ao Daesh. As autoridades portuguesas suspeitam que estivesse envolvido no grupo que raptou o fotojornalista britânico John Cantlie, em junho de 2012, e também no vídeo da decapitação do repórter norte-americano James Foley, em julho de 2014. Os serviços de informação ocidentais têm motivos para suspeitar que Nero Saraiva fazia parte do grupo do terrorista conhecido como Jihadi John, que se descobriu ser o britânico Mohammed Emwazi, que filmava as mortes das suas vítimas.

Em Portugal, foi acusado de vários crimes de terrorismo, em conjunto com a chamada ‘célula de Leyton’, formada por oito jiadistas portugueses que viviam na zona este de Londres; posteriormente, seis deles partiram para a Síria, um dos quais o próprio Nero. Mas o seu processo acabou por ser separado no início do julgamento, em setembro de 2020, porque se encontrava preso no Iraque.

Deste grupo, apenas dois, Rómulo Costa e Cassimo Turé, foram condenados, a nove e a oito anos e seis meses de prisão, respetivamente, por crimes de apoio a organizações terroristas. Nero está no Iraque e os outros cinco terão morrido em combate.