Sociedade

Aterraram 229 ucranianos trazidos pela Câmara de Cascais. Autarquia “surpreendida” com procedimentos burocráticos

14 março 2022 23:10

nuno botelho

Vice-presidente da câmara critica falta de condições na receção dos refugiados ucranianos que chegaram esta noite a Lisboa

14 março 2022 23:10

O avião com 229 ucranianos trazidos desde a Roménia pela Câmara de Cascais aterrou esta segunda-feira à noite na base área de Figo Maduro, em Lisboa. O voo com cariz humanitário transporta maioritariamente mulheres e crianças. No desembarque, um responsável da autarquia foi “surpreendido” pelos procedimentos burocráticos aplicados pelo Alto Comissariado para as Migrações.

Quando desembarcaram, as 229 pessoas foram levadas para uma gare do aeroporto com dezenas de cadeiras de espera e quatro secretárias com elementos do ACM. As pessoas são sentadas na sala de espera e por família são levadas a um dos funcionáramos do comissariado, que fazem algumas questões relativamente ao agregado familiar, origem e em que estado se encontram.

“As pessoas estão ao frio e nem há mantas. Há pessoas há mais de uma hora dentro do avião porque só podem sair em grupos de 55” para serem encaminhadas para a gare e para realizarem os procedimentos do ACM, descreve ao Expresso o vice-presidente da Autarquia. “Acho absolutamente inacreditável que um país que se diz tão acolhedor apresente estas condições a pessoas que estão a viajar há vários dias”, acrescenta Miguel Pinto Luz.

O Expresso tentou entrar em contacto com o ACM, mas até ao momento não foi possível.

Uma vez terminado o questionário do ACM, as pessoas são encaminhadas depois para um outro edifício onde o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) realiza os habituais procedimentos relativos à chegada de passageiros oriundo de países de fora do Espaço Schengen. O voo saiu pouco antes das 18h (menos duas em Portugal continental) de Bucareste, na Roménia.

A presença do SEF, assegura Pinto Luz, era esperada e “está a correr lindamente”.

A câmara reuniu este grupo de refugiados a partir das 8h00 numa residência universitária de Bucareste, onde testou e registou todos as pessoas transportadas para Lisboa. Algumas vão ficar no concelho de Cascais, outras vão ao encontro de familiares e amigos noutros pontos do país.

Os cidadãos ucranianos têm total luz verde do Governo para entrar em território português, estando previsto que cada um deles faça um pedido de proteção temporária, um mecanismo extraordinário aprovado em Conselho de Ministros para possibilitar uma maior facilidade no acolhimento. Uma vez chegados a Portugal, têm de dirigir-se ao SEF, seja na fronteira ou posteriormente numa delegação, para darem entrada dos pedidos.

Procedimentos como este não acontecem, por exemplo, no caso dos autocarros que vão buscar pessoas à fronteira ucraniana e entram no país por via terrestre, já que Espanha pertence ao espaço Schengen.