Sociedade

Futuro do caso dos sete militares da GNR suspeitos de tortura a imigrantes de Odemira decidido em sala de cinema

8 fevereiro 2022 16:53

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Primeira sessão do debate instrutório terá segurança reforçada. Só um dos sete militares suspeitos pediu a abertura de instrução

8 fevereiro 2022 16:53

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O debate instrutório do caso dos sete elementos da GNR suspeitos de agredir, sequestrar e torturar imigrantes que trabalhavam nas estufas da Costa Vicentina inicia-se esta quarta-feira, às 14h30, na sala de cinema de Odemira.

De acordo com um despacho do tribunal judicial da comarca de Beja, a sala de audiência de Odemira “não possui limite máximo capaz de albergar – de acordo com as normas de distanciamento social – todos os presentes” e por isso as sessões realizam-se na sala de cinema daquela localidade alentejana.

Ainda de acordo com o tribunal de Beja, devido “à natureza da diligência e da sua exposição pública”, impõem-se a “possibilidade de reforço da segurança pública no local”. Os serviços do tribunal já prepararam a sala de cinema para ter instalado o sistema Citius e um aparelho para visualizar vídeos.

O debate instrutório é uma espécie de pré-julgamento em que um juiz de instrução analisa os argumentos da defesa e do MP e decide se leva, ou não, o caso a julgamento. De acordo com fonte do processo, só um dos sete arguidos pediu a abertura de instrução.

Os sete militares da GNR em causa foram acusados em novembro de 2021 de 33 crimes de abuso de poder, sequestro e ofensa à integridade física qualificada.

O caso ganhou repercussão no final do ano passado depois de a CNN Portugal ter revelado imagens dos telemóveis dos militares em que estes se filmaram a bater e a humilhar imigrantes oriundos da Ásia, que trabalham naquela região do Alentejo. São sete os vídeos que demonstram os atos de violência.

Na véspera do último Natal, a ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunem, suspendeu provisoriamente os sete militares sob suspeita, estando temporariamente suspensos por 90 dias, uma consequência que pode ser renovada por mais 90. Esta suspensão provisória da ministra aos militares foi avançada com base na proposta da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), que também inclui o desarmamento dos suspeitos.