Sociedade

Líder da rede de militares de tráfico de diamantes é um dos 11 detidos da Operação Miríade

9 novembro 2021 19:48

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

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Comando Paulo Nazaré é o alegado líder da rede desmantelada pela PJ. Onze arguidos estão a ser interrogados pelo juiz Carlos Alexandre

9 novembro 2021 19:48

Hugo Franco

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Jornalista

Paulo Nazaré, o alegado cabecilha da rede de tráfico de diamantes, ouro e droga que operava na República Centro-Africana (RCA), é um dos onze detidos da Polícia Judiciária. A RTP avança que foi preso quando se encontrava num shopping do Parque das Nações, em Lisboa.

O militar e os restantes arguidos no âmbito da Operação Miríade já estão a ser interrogados pelo juiz de instrução Carlos Alexandre no Tribunal de Instrução Criminal, de Lisboa. Entre os detidos haverá pelo menos três militares das forças armadas, um militar da GNR, um elemento da PSP, um advogado e vários civis, supostamente os testas de ferro do negócio milionário que atuavam em Portugal.

A agência Lusa revela que da rede criminosa fazem ainda parte mais de seis dezenas de outras pessoas e cerca de 40 empresas, algumas que funcionariam como “fachada” para os negócios que envolviam diamantes, ouro, droga e bitcoins, a moeda virtual que não é fiscalizada pelas autoridades.

Paulo Nazaré é comando e terá iniciado o esquema quando se encontrava numa das primeiras missões portuguesas ao serviço das Nações Unidas naquele país africano, entre 2017 e 2018.

Só em dezembro de 2019 é que as chefias da força militar portuguesa foram alertadas para o contrabando ilegal, que seguia no interior de aviões militares para Lisboa e depois eram distribuídos e vendidos para Antuérpia, na Bélgica. Nessa altura, o comandante da 6ª força nacional destacada na RCA avisou o o Estado-Maior General das Forças Armadas sobre o que se estava a passar. A Polícia Judiciária Militar foi ativada mas depressa o Ministério Público colocou a investigação nas mãos da Polícia Judiciária civil.

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, disse ter tido conhecimento do caso nessa altura, tendo alertado as Nações Unidas no início do ano seguinte.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que a investigação “não atinge minimamente o prestígio das Forças Armadas”. “Pelo contrário”, sustentou o Presidente da República em declarações à RTP em Cabo Verde: o facto de as Forças Armadas investigarem “casos isolados que possam ter ocorrido” e de terem tomado “essa iniciativa” “só as prestigia em termos internacionais”. Desta vez, o comandante supremo das Forças Armadas abriu uma exceção, uma vez que “normalmente, em território estrangeiro”, não faz comentários sobre a situação portuguesa. “Mas aqui é uma situação de projeção internacional, de prestígio das Forças Armadas, nomeadamente numa intervenção neste continente, o continente africano”, justificou.

“A ideia é levar as investigações o mais longe possível para apurar o que se passa, confirmar se são casos isolados, como à primeira vista há quem entenda que sejam”, disse ainda. Sendo casos isolados, estes “não afetam em termos de generalização e de prestígio das nossas Forças Armadas, que está incólume”. Um prestígio que o Presidente disse ser “exatamente o mesmo” que testemunhou em março de 2018, quando esteve na República Centro-Africana. Contudo, a denúncia é posterior à sua deslocação ao país, datando de dezembro de 2019.